Mídia de interesse é a lógica em que as redes distribuem conteúdo pelo assunto que prende sua atenção, não pela sua lista de seguidores. Gary Vaynerchuk, presidente da VaynerX e CEO da VaynerMedia, descreve essa virada como a mudança mais profunda do marketing digital e recomenda tratar views orgânicas como teste de criativo antes de gastar em mídia paga.
Mídia de interesse: o que muda na prática
Mídia de interesse é o modelo em que a plataforma distribui conteúdo pelo assunto que prende sua atenção, e não pela sua lista de seguidores. Gary Vaynerchuk, CEO da agência VaynerMedia e presidente da VaynerX, disse em palestra na Snapchat em setembro de 2026 que vem falando do tema há cerca de quatro anos.
A comparação abaixo mostra o que muda quando o eixo deixa de ser o grafo social e passa a ser o interesse:
| Critério | Modelo antigo (grafo social) | Mídia de interesse |
|---|---|---|
| O que define a entrega | Sua lista de seguidores | O assunto do conteúdo |
| Pergunta-chave | Quantos seguidores eu tenho | Esse assunto interessa a alguém agora |
| Alcance de uma publicação | Limitado pelos seguidores | Definido pelo tema e pelo conteúdo |
| Papel do seguidor | Garantia de entrega | Ajuda na distribuição inicial |
A expressão "social media" nasceu com o grafo social: você seguia quem conhecia da escola, do trabalho, da família. Vaynerchuk afirma ter percebido a mudança antes, ainda como investidor inicial do Tumblr em 2007, e depois observando o que o TikTok fazia em 2017.
A consequência prática é direta. A pergunta deixa de ser "quantos seguidores eu tenho" e passa a ser "esse assunto interessa a alguém agora". Seu alcance depende do conteúdo e do tema, não do tamanho da Supabase.
Isso não significa que seguidores perderam todo valor. Eles ainda ajudam a distribuição inicial, mas já não garantem que cada publicação chegue à sua audiência — o que a plataforma entrega é o que ela julga relevante para cada pessoa.
O algoritmo de relevância entrega o teste de criativo de graça
As plataformas construíram, sem cobrar por isso, a medição de relevância que a publicidade procurou por décadas. Vaynerchuk argumenta que Snap, Shorts, Instagram, Facebook, TikTok, LinkedIn e X têm interesse próprio em mostrar conteúdo relevante: quanto mais relevante, mais tempo o usuário fica.
Esse alinhamento produz um teste de criativo gratuito. Em vez de comprar mídia para descobrir qual peça funciona, você publica organicamente e observa quais conteúdos geram visualizações muito acima da sua média. A plataforma já fez a triagem por você.
A única métrica que Vaynerchuk diz acompanhar é views orgânicas alcançadas. Ele cita saltos como 150 mil ou 500 mil visualizações quando a média da marca era de 400 a 4 mil, seja em B2B ou B2C, como sinal de que aquele criativo tocou um interesse real.
O raciocínio é simples: ninguém compra antes de se importar com algo. Se um vídeo fora do padrão da marca explode, ele revelou uma relevância que o planejamento interno não tinha enxergado.
Como aplicar o teste de criativo gratuito
- Publique organicamente o criativo que você quer testar, sem impulsionar.
- Compare as views com a média histórica da marca (ex.: 400 a 4 mil).
- Identifique picos como 150 mil ou 500 mil visualizações.
- Escale o criativo vencedor com mídia paga.
| Plataforma | Interesse em relevância | Sinal de criativo vencedor |
|---|---|---|
| TikTok | Mais tempo de uso | Views muito acima da média |
| Mais tempo de uso | Views muito acima da média | |
| Mais tempo de uso | Views muito acima da média |
Criativo validado e depois escalado: o fluxo em três etapas
O playbook que Vaynerchuk defende inverte a ordem tradicional de produção e mídia. A peça nasce orgânica, é validada por audiência real e só então recebe verba e elementos de performance.
- Publique a ideia bruta organicamente, com produção simples, nas superfícies onde o assunto já circula. 2. Leia as views e identifique o que passou muito da média da conta. 3. Pós-produza a peça vencedora acrescentando oferta, chamada para ação ou DNA de performance, e só depois coloque mídia atrás dela.
Vaynerchuk cita o exemplo de um vídeo sobre uma avó e uma neta comendo pirulito que emocionou a audiência. Depois de validado organicamente, ele pode receber frete grátis ou uma oferta por caixa e rodar como anúncio.
A mesma peça serve ainda como briefing. Do criativo vencedor saem a execução premium, o tema de um evento presencial ou o insight de uma campanha de marca, com produção maior só depois da validação.
Por que o teste A/B deixou de ser a bússola
O teste A/B como método central de descoberta criativa perdeu força porque parte de hipóteses internas, não de comportamento real. Vaynerchuk descreve como encerrada a era do microinvestimento em dezenas de variações, que ele associa ao período do Meta entre 2015 e 2017.
A crítica é direta: gerar 7 mil variações de criativo é competir em quantidade com algoritmos que já leem interesse em escala. Segundo ele, as plataformas são melhores em prever o que prende atenção do que qualquer equipe testando variações às cegas.
Na prática, a mudança acontece nesta ordem:
- Você identifica um interesse que já gera engajamento orgânico e observável.
- Valida a ideia criativa com esse público antes de investir em escala.
- Usa o teste A/B apenas para otimizar a execução da ideia já validada.
- Deixa o algoritmo das plataformas comparar variações com base em interesse real.
| Etapa | Papel do teste A/B | Fonte da decisão |
|---|---|---|
| Descoberta da ideia | Não participa | Comportamento real do público |
| Validação orgânica | Não participa | Engajamento observado no interesse |
| Otimização da execução | Papel central | Variações sobre ideia já validada |
| Escala de investimento | Papel central | Previsão das plataformas |
O teste A/B não desaparece. Ele muda de função: deixa de ser o mecanismo que descobre a ideia e passa a ser a ferramenta que otimiza a execução já validada organicamente.
Vale separar o que é opinião de mercado do que é dado verificável. A inversão de prioridade entre arte e matemática é a tese de Vaynerchuk, apresentada em palestra — não um resultado de estudo independente.
Snapchat Spotlight: atenção barata ainda disponível
O Snapchat Spotlight é, na avaliação de Vaynerchuk, a superfície mais subestimada do marketing atual. Ele descreve o formato como equivalente a Instagram e TikTok em potencial de alcance, com a diferença de estar menos disputado por anunciantes.
A lógica é de atenção subvalorizada. Ele compara a situação a comprar imóvel de frente para o mar antes que o mercado perceba o valor da região: quando poucos anunciantes disputam espaço, o custo para aparecer cai.
Para ele, a oportunidade não é publicar anúncios nativos no Spotlight, mas vencer organicamente e depois pós-produzir com elementos de performance. Entre esses elementos estão o texto sobreposto clássico do Snap, filtros em alta e o vocabulário visual que circula dentro do aplicativo.
O erro comum é transferir linguagem de outra plataforma. Cada ambiente tem gírias, fontes e filtros próprios, e a peça precisa parecer nascida ali para o público reagir.
Anúncios no chat e o limite da paciência do usuário
O chat do Snapchat é o espaço mais protegido do aplicativo, e a publicidade ali depende de confiança. Durante a conversa com Vaynerchuk, foi mencionado que anúncios dinâmicos de produto no chat já existem e que o formato mais eficaz envolve criadores, com desempenho duas vezes melhor.
A vantagem do criador é familiaridade: a mensagem chega de alguém que o usuário reconhece, não de uma marca desconhecida. O desafio é manter o tom de conversa enquanto a oferta aparece.
Vaynerchuk alerta para o desgaste. Quando as pessoas percebem que o criador está sendo usado para vender, a taxa de abertura tende a cair, porque o ceticismo do consumidor cresce junto com a exposição ao formato.
Ele resume o ponto assim: mesmo com boa abertura, a venda depende do criativo. A mensagem, a oferta e a forma continuam decidindo o resultado, não o canal por si.
O que fazer na semana que vem
A tradução prática da tese é reduzir a distância entre o que você publica organicamente e o que você escala em mídia paga. Isso exige processo, não apenas mais volume de peças.
Defina uma métrica única de triagem, como views orgânicas contra sua média recente, e trate disparos acima da média como candidatos a escala. Crie um caminho formal do criativo validado até a versão com oferta e mídia.
Reserve parte do orçamento para superfícies menos disputadas, incluindo o Spotlight, em vez de concentrar tudo onde o custo de atenção já está caro.
Registre o que funciona como aprendizado de marca, porque o criativo vencedor também informa posicionamento, tema de campanha e próximos conteúdos.
Perguntas frequentes sobre mídia de interesse
- O que é mídia de interesse em redes sociais? É o modelo em que a plataforma distribui conteúdo pelo assunto que prende sua atenção, e não pela lista de pessoas que você segue. Gary Vaynerchuk descreve a mudança como a passagem do grafo social para o grafo de interesses. O alcance passa a depender do tema e da reação do público, não do tamanho da Supabase seguidores.
- Views orgânicas substituem todo o teste A/B de criativo? Não como única ferramenta, mas como primeira etapa. A proposta é publicar organicamente, identificar o que supera a média e depois testar variações sobre a peça já validada. Vaynerchuk afirma que a única métrica que acompanha é views orgânicas alcançadas, e trata o restante como otimização.
- Por que o Snapchat Spotlight é citado como oportunidade? Porque, na avaliação de Vaynerchuk, o formato tem alcance comparável a Instagram e TikTok, mas recebe menos atenção de anunciantes. Menos concorrência por atenção costuma significar custo menor para aparecer. Ele recomenda vencer organicamente ali antes de pós-produzir com elementos de performance.
- Anúncios no chat do Snapchat funcionam? O formato com criador aparece como o mais eficaz, segundo o que foi apresentado na conversa, com desempenho relatado duas vezes melhor. Ainda assim, Vaynerchuk alerta que o ceticismo do usuário cresce com o tempo e que a venda continua dependendo do criativo e da oferta.
- Isso vale para B2B também? Sim, segundo Vaynerchuk, que cita os mesmos saltos de views orgânicas em contextos B2B e B2C. A diferença está no tema e no formato que prende atenção, não na lógica de distribuição por interesse.
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