Pular para o conteúdo
← Voltar para o Skalablog

Artigo publicado

Resolver problemas complexos em 5 passos simples

Produtos e NegóciosNotion

Para resolver problemas complexos, siga cinco passos: imersão no cliente, definição e priorização do problema, ideação, testes rápidos e escala. O método combina design thinking, lean startup e consultoria de negócios, e cada etapa existe para reduzir o risco de você investir na solução errada.

O que é resolver problemas complexos com soluções simples

Resolver problemas complexos com soluções simples é um framework de duas grandes etapas — problema e solução — dividido em cinco microetapas: entender o cliente, definir o problema, idear soluções, testar rápido e escalar o que funciona. O método aparece no vídeo de Jonas Castro, engenheiro de production e empreendedor digital, publicado em abril de 2026.

A tese central é direta: a maioria das pessoas se apaixona pela solução antes de entender o problema. Você constrói um curso, um serviço ou um produto sem confirmar se alguém realmente quer aquilo, e depois não entende por que não vende. O framework existe para interromper esse atalho.

Castro diz ter aplicado a mesma lógica em consultoria para multinacionais, em uma agência que, segundo ele, chegou a 25 clientes e cerca de R$ 180 mil de receita recorrente mensal em 8 meses, e em infoprodutos que teriam faturado próximo de R$ 700 mil em 10 meses. Esses números são relatos do próprio autor, não métricas auditadas — trate-os como experiência declarada.

Por que quase todo mundo pula a etapa de problema

Todo mundo pula a etapa de problema porque ela não gera dinheiro imediato: entrevistar cliente, rodar grupo focal e observar operação parecem trabalho improdutivo quando você está ansioso para lançar algo. O resultado é a solução enfiada pela goela do cliente, como Castro descreve, sem evidência de que a dor existe.

O ponto de virada do framework é um insight repetido no Vale do Silício: apaixone-se pelo problema, não pela solução. Castro cita Steve Jobs como exemplo de líder que, mesmo à frente de uma empresa gigante, passava tempo ouvindo clientes na linha de frente antes de aprovar um produto novo.

O erro tem um padrão reconhecível. Um aluno da comunidade do autor queria vender uma solução para varejistas que não tinham site próprio; a resposta dele foi simples: se você não está imerso na realidade desses clientes, você não pode afirmar que isso é um problema real. É a diferença entre opinião e diagnóstico.

Etapa 1: entender o cliente em profundidade

Entender o cliente em profundidade é a etapa de imersão do design thinking, e ela é um ciclo contínuo, não um evento único. O objetivo aqui é reunir o máximo de informação possível sobre a rotina, as dores e os desejos do cliente antes de formular qualquer hipótese de solução.

Castro recomenda cinco técnicas de coleta, usadas em projetos reais dele: na Prefeitura de Belo Horizonte, a equipe fez cerca de 15 entrevistas e dois grupos focais ao longo de três meses antes de redesenhar processos da Secretaria de Políticas Urbanas. Em um projeto de telefonia, consultores entraram nas lojas para observar atendentes em ação.

Um detalhe prático que diferencia projetos maduros: a pesquisa nunca pergunta "você usaria esta solução?". Essa pergunta enviesa a resposta. Em um projeto para uma empresa de oncologia, o questionário de cerca de 30 perguntas passou por várias revisões antes de ir a campo, justamente para não induzir o entrevistado a dizer o que o autor do estudo queria ouvir.

Quais técnicas de imersão usar na prática

Na prática, você escolhe a técnica de imersão conforme o acesso que tem ao cliente e o tamanho do orçamento. Consultorias usam todas em combinação; negócios pequenos podem começar com entrevistas em profundidade, que exigem pouco mais do que tempo e escuta. A tabela abaixo resume as cinco técnicas citadas no vídeo.

TécnicaComo funcionaMelhor quando
Entrevista em profundidadeConversa individual sem revelar sua soluçãoVocê tem acesso direto a poucos clientes
Grupo focalEntrevista em grupo com perspectivas variadasVocê quer comparar visões no mesmo ambiente
Pesquisa estruturadaQuestionário longo revisado para não enviesarVocê precisa de volume de respostas
ShadowingAcompanhar o cliente como uma sombra, anotando tudoO processo tem etapa presencial ou de atendimento
ObservaçãoObservar o comportamento por dias seguidosA fala do cliente diverge da prática real

O cuidado com viés vale para qualquer uma delas. Se a pergunta já contém a solução, o cliente responde o que você quer ouvir, e três meses de imersão viram papel molhado.

Etapa 2: definir e priorizar o problema

Definir o problema é fechar o diamante aberto na imersão: do monte de dores levantadas, você escolhe qual vale esforço e dinheiro agora. Segundo o framework, seu cliente terá sempre dezenas de problemas; seu trabalho é separar o principal do acessório e priorizar com o time, por exemplo por votação com post-its.

O segundo passo é alinhar com todos os envolvidos, sintetizando o desafio em uma frase: "é isto que vamos resolver". Esse alinhamento é o que evita o retrabalho clássico do prestador de serviço que entregou A e B e ouve na entrega: "mas eu queria X e Y".

A saída da etapa é uma proposta consolidada, visual quando possível. Castro relata um case de agência em que a imersão e a definição do problema, feitas em cerca de três semanas com material que o cliente já tinha, viraram uma proposta de R$ 30 mil em três parcelas de R$ 10 mil, montada no Miro. Empresas como Canva e Notion mantêm times de produto trabalhando com esse tipo de quadro visual, o que reforça que não é exercício de escola.

Agora você conecta pontos: como o quadro de investigação de um seriado policial, puxa setas entre fatos e descobre relações que nenhum documento isolado revela. Castro compara o exercício aos quadros de investigação de Breaking Bad, em que fotos e documentos espalhados só fazem sentido quando alguém começa a ligá-los.

Etapa 3: ideação e brainstorm antes de escolher a solução

Idear várias soluções é a primeira microetapa da fase de solução, e a regra número um do brainstorm é não julgar a ideia alheia. Ideias aparentemente absurdas acendem conexões que o pensamento linear não produz, e a variedade de perspectivas é justamente o que gera opções fora do caminho óbvio.

Castro relata que fez sessões de brainstorm com gerentes e diretores em grandes empresas, e que as companhias mais inovadoras estudadas na faculdade de engenharia montavam times multidisciplinares — dados, marketing, design, tecnologia, produto — em uma mesma sala. O objetivo é impedir que você fique enviesado para a solução que já tinha em mente.

O exemplo pessoal dele é concreto: com dois ou três meses de canal, anotou cerca de 40 ideias de produtos, a maioria ruins, e delas saiu o LinkedIn Pro, um minicurso que segundo ele tem mais de 1.200 alunos. A etapa de ideação não garante a resposta certa; ela garante que você vá escolher entre opções, e não entre uma única aposta.

Etapa 4: testar rápido com mentalidade de MVP

Testar rápido significa aplicar o ciclo da metodologia Lean Startup: definir um produto mínimo viável, lançar, coletar feedback, melhorar e lançar de novo. O maior erro nesse estágio é esperar o produto perfeito, porque enquanto você lapida, o timing passa e a validação não acontece.

O exemplo citado é de um criador que lançou um produto sobre uma ferramenta de IA ainda em alta e, segundo Castro, faturou mais de R$ 1 milhão no mês, em grande parte por ter lançado na hora certa. O autor pondera que ter audiência ajudou — o caso ilustra a mentalidade, não uma promessa de resultado.

Ele aplica a mesma lógica nos próprios infoprodutos: o LinkedIn Pro foi um teste, assim como Substack Pro, Framework Pro e um minicurso planejado para maio de 2026. Substack Pro foi o que menos vendeu, e por isso ele avalia descontinuar alguns testes e priorizar outros. Teste barato e rápido existe para revelar exatamente isso antes de você escalar.

Duas regras completam a etapa. Primeira: quem quer se manter relevante precisa melhorar sempre, porque quando algo dá certo, a concorrência copia o funil, o criativo e o site. Segunda: a solução não é o negócio inteiro — o caso de um designer que perdeu recorrência porque parou de ouvir clientes mostra o custo de testar devagar demais as mudanças de demanda.

Etapa 5: quando escalar a solução

Escalar é a última microetapa, e o sinal de que chegou a hora é simples: você não consegue mais atender toda a demanda. Enquanto não há tração real, escalar acelera o erro — Castro cita startups que levantaram US$ 20 milhões e pivotaram porque escalaram uma solução sem tração.

Na agência dele, fundada em 2025, o gargalo apareceu na forma de contratações: cerca de quatro ou cinco pessoas em um único mês, com 25 clientes na carteira e receita recorrente mensal se aproximando de R$ 200 mil. Um parceiro classificou o momento como product-market fit, quando o que o mercado quer e o que a empresa entrega se encaixam.

A comparação entre os dois negócios dele deixa a lição explícita. A agência está em escala; o negócio de infoprodutos, com cerca de 1,3% de reembolso segundo o autor, ainda está em ciclo de testes, e ele segura o volume de mentorias para continuar perto dos alunos. Saber em qual etapa cada linha do seu negócio está evita gastar dinheiro de escala em algo que ainda devia ser barato e descartável.

FAQ

  • O framework serve só para negócios digitais? Não. O método vem de engenharia de produção, consultoria e design thinking, e foi aplicado em projetos de governo, indústria, telefonia e saúde antes de chegar ao empreendedorismo digital. A lógica de imersão, priorização e teste vale para qualquer contexto em que você precisa resolver um problema de alguém.
  • Quantas entrevistas eu preciso fazer na etapa de imersão? Não existe número universal, mas a referência do vídeo é das dezenas: cerca de 15 entrevistas e dois grupos focais em três meses em um projeto de consultoria. Duas entrevistas em uma semana, como o autor critica, raramente produzem entendimento real do cliente.
  • Como sei que é hora de escalar minha solução? O sinal prático é a falta de capacidade de atendimento: mais demanda do que você consegue entregar, forçando contratação ou automação. Se você ainda precisa convencer o mercado a querer o produto, escalar só amplia um problema de validação que continua sem resolver.
  • Brainstorm com o time realmente funciona ou é perda de tempo? Funciona quando tem regra: não julgar ideia alheia e reunir pessoas de formações diferentes. Grandes empresas fazem sessões assim com diretores envolvidos, e o ganho está em gerar opções que você não veria sozinho, enviesado pela solução que já tinha em mente.

Do vídeo ao artigo: transforme seu método em conteúdo escrito

O framework de resolver problemas complexos que você acabou de ler nasceu em um vídeo de 54 minutos, e é exatamente esse tipo de conhecimento estruturado que merece existir também em texto. Se você ensina métodos, estuda casos ou registra lições em vídeos no YouTube, esse conteúdo pode trabalhar muito mais quando vira um artigo pesquisável.

Com o Skala blog, o caminho é curto: você cola a URL do vídeo, a plataforma transcreve o áudio e gera um artigo estruturado, pronto para revisão. Vale para aulas, entrevistas, opiniões e frameworks como este — inclusive conteúdos de criadores como o Dev doido ou materiais técnicos como o Crazystack typescript (crazystack.com.br), desde que você queira preservar o método em formato escrito e dar a ele uma segunda vida fora do feed.

Source video