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Artigo publicado

Mercado de programação vai acabar com a IA?

Engenharia de SoftwareClaude CodeAnthropicChatGPT

O mercado de programação não vai acabar nos próximos seis meses, mas já mudou de forma concreta com ferramentas como o Claude Code. A tese do vídeo de Herbert, do canal O Rei dos Sites, é que o programador que só digita código perde espaço para quem entende o negócio inteiro e usa IA. Este artigo separa opinião de evidência.

O mercado de programação vai acabar nos próximos meses?

Não há evidência de que o mercado de programação vá desaparecer nos próximos seis meses, apesar do tom do vídeo. O que existe é uma transformação real: ferramentas de IA generativa, como o Claude Code, ferramenta de codificação agêntica da Anthropic que roda no terminal, já automatizam boa parte da escrita de código repetitivo. O trabalho mecânico encolhe; o trabalho de decisão técnica continua.

O vídeo, publicado em 10 de setembro de 2026 pelo canal O Rei dos Sites, abre com a afirmação de que "o mercado da programação não vai durar 6 meses". Trata-se de uma opinião do autor, Herbert, que se apresenta como empresário de uma empresa de serviços com faturamento declarado de R$ 220 mil por mês. Esse número é relato próprio, não dado auditado.

A lógica que sustenta a tese dele é simples e faz sentido: enquanto existir código, vão existir bugs, riscos de segurança e decisões de arquitetura. Quem valida se o código gerado por IA é seguro e escala não desaparece, apenas muda de função.

O que o vídeo realmente afirma sobre o futuro da profissão

A tese central do vídeo é que no futuro não vão existir "programadores que sabem programar" no sentido tradicional, e sim profissionais assistidos por IA. Herbert chama esse perfil de "engenheiro de IA": alguém que não digita mais CSS na mão, mas entende o negócio de ponta a ponta e orquestra ferramentas.

Segundo o relato dele, o programador da empresa dele hoje faz o "360": front-end, back-end, arquitetura e integrações. Um exemplo citado é um sistema interno que conecta a API do Instagram e do TikTok a um CRM de vendas, para acompanhar a meta de 15 vídeos acima de 100 mil visualizações em cada plataforma. É um caso de uso legítimo de automação, embora contado a partir da experiência de uma microempresa.

Vale separar dois planos. O primeiro é descritivo: ferramentas de IA realmente mudam o dia a dia de desenvolvimento, e o Model Context Protocol, protocolo aberto para conectar assistentes de IA a fontes de dados e ferramentas, é um exemplo dessa camada de integração. O segundo é preditivo: dizer que a profissão atual vai sumir em meses é especulação, não fato comprovado.

Por que o salário de programador atrai tanta gente

Herbert conta que entrou em engenharia da computação em 2019 e 2020 porque não conhecia programador com experiência ganhando menos de R$ 10.000. Ele afirma não conhecer até hoje ninguém com três anos de experiência abaixo dessa faixa. Isso é anedota pessoal: médias salariais reais variam por região, senioridade e tipo de empresa no Brasil.

Ele também cita os cases clássicos de Steve Jobs, Bill Gates e Elon Musk como prova de que tecnologia enriquece. O argumento tem uma falha simples: fundadores bilionários de tecnologia não são evidência de salário médio alto para quem trabalha como desenvolvedor contratado.

O que o vídeo acerta é na motivação prática: a maioria entra na área pelo potencial de remuneração e pela possibilidade de trabalhar para empresas grandes ou de fora do país. Essa busca por renda, segundo ele, é o que empurra a maior parte das pessoas para a carreira, mais do que a paixão por computadores.

O que mudou desde 2020: da mão na massa ao código assistido

O contraste do vídeo é histórico. Ao entrar na Stefanini, multinacional brasileira de terceirização de tecnologia, Herbert afirma que ganhava R$ 7.500 como desenvolvedor front-end escrevendo HTML, CSS, JavaScript, React e Next na mão, numa época sem ChatGPT nem ferramentas equivalentes.

Hoje, esse conhecimento manual perdeu parte do valor de mercado. O que passou a valer mais é a capacidade de usar bem ferramentas como o Claude Code para revisar, integrar e escalar código, além de entender negócio. A tese de que digitar código deixou de ser a habilidade central é defensável; a de que saber programar deixou de ser necessário não é.

Há um detalhe honesto no relato: ele reconhece que a empresa dele ainda é uma microempresa, porque passaria de R$ 4 a 5 milhões por ano para se classificar como pequena. Isso importa, porque um fluxo de trabalho que funciona em uma equipe reduzida não prova nada sobre como grandes organizações adotam IA.

Faculdade de tecnologia vale a pena? O cálculo do vídeo

Herbert calcula o custo de uma faculdade particular de cinco anos: R$ 1.000 por mês vezes 12, multiplicado por 5 anos, dá R$ 60.000, o preço aproximado de um carro popular. Ele usou como referência a mensalidade de R$ 4.500 que lembra da PUC, mas assume R$ 1.000 para o cálculo ficar realista.

A crítica dele à faculdade não é contra o diploma, e sim contra o conteúdo desatualizado. A alegação é que a universidade não consegue acompanhar a velocidade do mercado, e que aprender JavaScript puro hoje tem utilidade menor do que em 2020. Esse descompasso entre grade curricular e prática de mercado é reclamação comum entre profissionais da área.

O que ele defende, com ressalva interessante: a faculdade continua valendo pela porta de entrada que o estágio oferece e pelo networking, não pelo aprendizado técnico em si. Foi por um colega de faculdade, o Thiago Medeiros, que ele diz ter conseguido o primeiro estágio e aprendido CSS, flexbox e grid na prática.

Como se preparar para esse novo mercado na prática

Se você quer entrar ou permanecer relevante, o caminho que o vídeo sugere é estudar continuamente e aprender a trabalhar com agentes de IA, não apenas com linguagens. A lista abaixo condensa as competências citadas ou implicadas no relato:

  • Fundamentos de código: ler, revisar e validar código gerado por IA continua sendo responsabilidade humana.
  • Ferramentas agênticas: dominar o Claude Code e fluxos com agentes e subagentes.
  • Integrações: conectar APIs, MCPs e serviços externos, como hospedagem na Hostinger, citada no vídeo como parte da infraestrutura.
  • Visão de negócio: entender o 360 da operação, do marketing ao back-end, para entregar soluções e não só telas.
  • Estudo permanente: a área muda rápido, e a própria renda citada no vídeo depende de acompanhar essa mudança.

Um alerta de credibilidade: o vídeo termina com um pitch de mentoria paga, com aula inicial gratuita e promessas de ganhar de R$ 5 mil a R$ 15 mil por mês. Promessa de retorno financeiro em curso de infoproduto é um padrão de venda, não uma garantia. Avalie qualquer treinamento com esse contexto em mente.

Perguntas frequentes

  • A IA vai substituir programadores completamente? Não há evidência disso. A IA já automatiza a escrita de código repetitivo, mas validação, segurança, arquitetura e entendimento do negócio continuam exigindo profissionais. A função tende a se transformar em trabalho assistido, não a desaparecer.
  • O que é o Claude Code citado no vídeo? É uma ferramenta de codificação agêntica da Anthropic que roda no terminal e ajuda desenvolvedores a escrever, revisar e integrar código com apoio de IA. No vídeo, ela aparece como símbolo da nova forma de trabalhar.
  • Vale a pena fazer faculdade de tecnologia em 2026? Depende do seu objetivo. O vídeo defende que a faculdade vale pelo estágio e pelo networking, não pelo conteúdo curricular, que atrasa em relação ao mercado. Para quem já trabalha com tecnologia, certificações e prática costumam atualizar mais rápido.
  • O faturamento de R$ 220 mil por mês citado é verificável? Não. É declaração do próprio autor sobre a empresa dele, sem auditoria ou fonte externa. Use o número como relato de experiência, não como dado de mercado.
  • A promessa de ganhar R$ 15 mil por mês com a mentoria é confiável? É uma promessa comercial, não um resultado garantido. Rendimentos na área de tecnologia dependem de senioridade, mercado local e esforço individual, e nenhum curso pode assegurar valores específicos.

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