Não, o mercado de programação não virou piada por causa da inteligência artificial; ele mudou de regras. É o que argumenta o vídeo do canal O Rei dos Sites publicado em setembro de 2026, e este artigo separa a opinião do criador dos fatos verificáveis, incluindo a correção de datas que o próprio vídeo errou.
Por que o mercado de programação virou piada, segundo o vídeo
Para o criador do canal O Rei dos Sites, o mercado de programação virou piada porque o discurso público sobre tecnologia oscila entre dois extremos: hype salarial absoluto e pânico total com a IA. Em nenhum dos dois extremos você encontra uma leitura honesta da profissão.
O vídeo, publicado em 3 de setembro de 2026, conta a trajetória pessoal do autor entre 2019 e hoje para sustentar essa tese. Ele entrou na faculdade de engenharia da computação em 2019, chegou a um salário alto durante a pandemia e depois abriu empresas próprias de sites e educação.
O ponto central não é que a carreira morreu. A argumentação é que a zoeira mudou de lado: antes, quem estudava tecnologia era tratado como nerd sem futuro; hoje, todo mundo sabe que a área paga bem, então a mesma plateia martela que a IA vai eliminar as vagas.
A trajetória do criador: números da carreira durante a pandemia
A ascensão descrita no vídeo aconteceu num momento específico e irrepetível: a pandemia de 2020, quando a demanda por desenvolvedores explodiu no Brasil. Os números a seguir são relatos de primeira mão do próprio autor, sem fonte externa que os confirme.
| Momento | Situação relatada |
|---|---|
| 2019 | Entrada na faculdade de engenharia da computação |
| Fim de 2019 | Primeiro estágio |
| 2020, em 8 meses | Passagem por estágio e duas posições júnior |
| Cerca de 1 ano depois | R$ 7.000 por mês como PJ |
| Por volta dos 22 anos | Até R$ 30.000 por mês somando dois empregos CLT |
Depois dessa fase, o autor relata passagens por grandes empresas e a abertura de três negócios: uma agência de sites, uma empresa de serviços que faturava R$ 50.000 e hoje chegaria a cerca de R$ 280.000 por mês, e uma empresa de educação com mais de 6.000 alunos. Todos esses valores vêm do vídeo e refletem a experiência individual dele, não uma média do setor.
A IA acabou com o programador? O que o vídeo acerta e erra
Não, a inteligência artificial não acabou com o programador, e o próprio vídeo admite isso no meio do tom dramático. O autor reconhece que a IA faz boa parte do trabalho técnico repetitivo, mas conclui que ela é uma alavanca para quem entende tecnologia, não um substituto automático da profissão.
O vídeo erra, porém, na linha do tempo: o autor diz que o GPT 'ficou popular em 2024'. Na verdade, o ChatGPT da OpenAI foi lançado em 30 de novembro de 2022 e se tornou o fenômeno público que o vídeo descreve entre o fim de 2022 e 2023, conforme o anúncio oficial da OpenAI. O choque nas redes que ele descreve aconteceu nesse período, não em 2024.
As ferramentas citadas existem e evoluíram desde então. O Claude Code é a ferramenta de codificação agêntica da Anthropic que roda no terminal, e o Gemini é o assistente e a família de modelos do Google usados no vídeo como exemplo para criar capas e conteúdo de marketing.
A afirmação de que 'você não precisa mais de equipe' é opinião do autor, não um fato do mercado. Ferramentas como essas aumentam a produtividade individual comprovadamente em muitos fluxos de trabalho, mas empresas continuam contratando desenvolvedores para manter, evoluir e dar manutenção a sistemas que exigem contexto profundo.
One person business: o que significa essa promessa do vídeo
One person business é a ideia de uma única pessoa operar todas as funções de um negócio com apoio de IA: código, marketing, tráfego pago, vídeo e vendas. O vídeo ironiza a versão exagerada desse discurso, a pessoa sozinha num quarto escuro faturando R$ 100.000 por mês.
O autor usa a própria empresa como contraexemplo mais realista. A agência de sites não é uma startup inovadora segundo ele mesmo, mas a incorporação de IA aos processos multiplicou a margem com a mesma equipe. Isso é experiência pessoal dele, não um estudo de caso auditável.
A lição prática é outra: ferramentas como o Claude Code reduzem o custo de construir soluções internas, e quem já trabalha com tela tem vantagem para usá-las. Você não precisa de uma ideia revolucionária; precisa colocar uma ideia na rua e deixar o mercado julgar.
A analogia com o Bitcoin: até onde ela se sustenta
A tese do vídeo é que o momento atual da IA se parece com o início do Bitcoin: ninguém levava a sério, quem ignorou se arrependeu, e quem entrou cedo colheu os ganhos. É uma analogia retórica forte, e merece leitura com cautela.
O Bitcoin de fato começou tratado como curiosidade, e o vídeo cita uma cotação de R$ 406.000 verificada ao vivo durante a gravação, em 3 de setembro de 2026. Esse número é uma checagem pontual do criador, não uma cotação de referência atual, e criptoativos mudam de preço a cada minuto.
A analogia tem um limite evidente: sobrevivência passada não garante futuro. O Bitcoin poderia ter morrido como morreram milhares de projetos da mesma época. Aplicar essa lógica à IA serve como incentivo a estudar a ferramenta, não como promessa de retorno financeiro. Diferente de comprar um ativo, aprender a usar IA no seu trabalho tem custo de oportunidade baixo, e é esse o argumento que sobrevive ao resto do discurso.
Como usar IA a favor da sua carreira: 4 passos práticos
O conselho prático do vídeo se resume a agir em vez de temer. Você pode transformar isso em um plano simples, independentemente de trabalhar com programação, advocacia ou contabilidade.
- Escolha uma ferramenta de IA e aprenda o básico de verdade: teste o Claude Code para tarefas de código ou o Gemini para conteúdo e análise.
- Aplique a ferramenta em um problema real do seu negócio ou trabalho atual, como automatizar um relatório ou criar uma landing page.
- Meça o resultado antes e depois: horas economizadas, custo reduzido ou margem melhorada.
- Só então pense em escalar, seja dentro do emprego atual ou num projeto próprio.
O autor reforça que não existe ideia boa ou ruim na cabeça, apenas ideias que vão para a rua. Quem diz se a ideia funciona é o mercado, e o custo de testar com IA nunca foi tão baixo.
Perguntas frequentes
- O mercado de programação realmente acabou por causa da IA?
Não. O vídeo argumenta que a profissão mudou de formato: tarefas repetitivas ficaram mais rápidas com IA, mas desenvolvedores continuam necessários para projetar, manter e evoluir sistemas. A promessa de renda fácil do vídeo, por outro lado, é marketing do próprio canal.
- O que é o Claude Code citado no vídeo?
É a ferramenta de codificação agêntica da Anthropic que roda no terminal e ajuda desenvolvedores a escrever e modificar código com apoio de IA. O vídeo o cita como exemplo de ferramenta que reduz a barreira para construir soluções sozinho.
- Quando o GPT ficou popular de verdade?
O ChatGPT foi lançado em 30 de novembro de 2022 e virou fenômeno público entre o fim de 2022 e 2023. O vídeo erra ao dizer 2024, e essa correção importa porque o debate sobre o fim das vagas de programador começou nesse período anterior.
- Os valores de salário e faturamento do vídeo são confiáveis?
São relatos de primeira mão do criador do canal sobre a própria carreira e empresas, sem comprovação externa. Servem como ilustração da época da pandemia, não como referência salarial do mercado de programação.
- A analogia com o Bitcoin faz sentido para quem está entrando na área hoje?
Só parcialmente. Ela funciona como argumento para aprender IA em vez de ignorá-la, porque o custo de estudo é baixo. Ela não garante que seguir tecnologia trará os mesmos retornos explosivos de quem comprou Bitcoin cedo.
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