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Artigo publicado

Deborah Folloni e IA: 5 lições do Epic e do vibe coding

Bolsas e EmpreendedorismoLovableChatGPTClaude

Em 2021 Deborah Folloni vendeu sua agência para a Vidmob e, em 2025, virou referência em IA no Brasil. Ela defende que vibe coding sem arquitetura vira dívida técnica, e por isso criou o Epic, um builder que promete apps de nível produção.

Quem é Deborah Folloni e por que ela virou referência em IA

Deborah Folloni é empreendedora e criadora de conteúdo que se tornou uma das referências brasileiras em IA aplicada a produtos. Ela fundou uma agência aos 19 anos, vendeu a empresa para a Vidmob em 2021 e, depois de sair da operação em 2022, passou a testar ferramentas como o Claude e o ChatGPT no dia a dia.

Na conversa com Jonas Castro no Papo Empreendedor, ela explica que sempre dependeu de engenheiros para executar ideias. A descrição dela resume bem: ter uma ideia e não conseguir executar é uma coceira nas costas que você não alcança. As ferramentas de IA reduziram esse custo e permitiram que ela construísse sozinha o que antes exigia um time.

Da agência de design à venda para a Vidmob

A trajetória começa de forma prática. Para pagar a faculdade dos três irmãos trigêmeos, Deborah fez freelas de design, estudou em Londres e transformou o trabalho manual em uma agência chamada Chiligan. Ela atendia times de marketing de empresas como Magazine Luiza, iFood, PicPay, Itaú, Meta e Netflix, segundo o relato dela na entrevista.

Ao ver uma empresa israelense automatizando criação de vídeo com tecnologia antiga, ela decidiu fazer melhor com vídeo de verdade. Automatizou o próprio fluxo, contratou engenharia e passou a vender produção escalável para grandes anunciantes. O concorrente Vidmob, investido pela Adobe Capital e com captação na casa dos 50 milhões de dólares na época, acabou comprando a empresa dela em 2021; ela ficou até novembro de 2022.

Donus, Pantheon e o Epic: como o builder funciona

Depois do exit, Deborah montou a venture builder Donus com Edmar Ferreira, fundador da Rock Content. O primeiro projeto é o Epic, que combina dois pilares: uma comunidade de educação sobre construção com IA e um builder com versão para terminal e versão web.

O builder se diferencia por tomar decisões de arquitetura. Frameworks de especificação como BMAD e OpenSpec não são opinativos sobre estrutura de pastas porque precisam servir a qualquer stack. Como o público do Epic não é desenvolvedor, o produto assume essa opinião: organiza o código de forma AI friendly para que o agente encontre o arquivo certo sem precisar vasculhar centenas de arquivos.

O próprio Epic já tem quase 300 mil linhas de código, segundo Deborah. Em um projeto desse tamanho, a base de código inteira não cabe na janela de contexto de nenhum modelo, então a organização deixa de ser detalhe e vira requisito de sobrevivência do produto.

Por que vibe coding sem arquitetura vira dívida técnica

O argumento central de Deborah é que a IA não faz 100% do trabalho, e o que sobra aparece justamente quando há usuários reais. Ela dá um exemplo do Epic: o identificador de workspace foi configurado como nome de usuário, e ao criar uma segunda conta com outro domínio o sistema quebrou. Em produção, com pressa e sem um engenheiro para chamar, esse tipo de bug trava quem só vibe codou.

A comparação que ela faz entre as ferramentas deixa o trade-off explícito:

Lovable Epic: o que muda para quem não programa

Ela reconhece a velocidade do Lovable para protótipos, mas aponta o custo: projetos difíceis de manter e entender depois. A tabela abaixo resume o contraste descrito por ela na entrevista.

DimensãoLovableEpic
Velocidade inicialApp em segundosEtapa de planejamento antes
ArquiteturaSem opinião definidaEstrutura opinativa e previsível
ManutençãoDifícil para devsFeita por devs familiarizados
PromessaProtótipo rápidoApp de nível produção
ColaboraçãoUm chat por projetoTarefas isoladas em chats separados

A promessa do Epic não é entregar um app em 30 segundos. É entregar algo que sobrevive a 100 usuários e a manutenção. Por isso a empresa constrói uma rede de desenvolvedores que conhecem a arquitetura e podem entrar na sandbox do usuário para destravar tarefas pontuais, algo entre a comunidade e um marketplace ainda em construção.

Conteúdo, distribuição e thumbnails: o método da Deborah

Deborah começou a produzir conteúdo por causa da distribuição, não por vocação de influencer. A estratégia dela tem passos claros:

  1. Testar tudo na prática antes de publicar, porque ela não ensina o que não usou.
  2. Gerar leads na newsletter no Substack antes do lançamento do produto.
  3. Reaproveitar o vídeo do YouTube como base da newsletter, sem duplicar o esforço criativo.
  4. Usar referências técnicas e reempacotá-las para um público menos especializado, como fez com o vídeo de agentes da Anthropic.
  5. Cuidar da thumbnail como embalagem: o vídeo sobre skills do n8n usou o visual dos nós como gatilho de familiaridade.

Ela também descreve como lida com críticas: responde quem agrega, oculta comentários tóxicos e aceita que o hater nunca será cliente. O objetivo do canal é vender produto, não agradar todo mundo.

IA e o mercado de serviços: a tese dos trilhões

Deborah cita o vídeo "Trillion Dollar Opportunity" da Sequoia como base da tese dela: a IA não come só o mercado de SaaS, come também o de serviços. Enquanto softwares de CRM movimentam dezenas de bilhões, a folha de pagamento de vendedores no mundo passa do trilhão.

O exemplo prático dela é o contador que automatiza o próprio fluxo e vende serviços de contabilidade por mil reais com custo de setenta. Ela conhece um ex-senior partner que montou um escritório de advocacia com cinco pessoas usando ChatGPT no lugar de trezentas. O filtro é simples: se o trabalho acontece na frente do computador, dá para otimizar muito.

Para quem resiste, ela propõe três perguntas: quando foi a última vez que testou, como testou e quantas vezes tentou. Sair de uma experiência ruim em 2022 e nunca mais repetir o teste é, para ela, o erro mais comum.

Perguntas frequentes

  • Quem é Deborah Folloni? É empreendedora brasileira, fundadora de uma agência vendida à Vidmob em 2021 e hoje sócia de Edmar Ferreira na venture builder Donus. Ela produz conteúdo sobre IA aplicada à construção de produtos no YouTube e no Substack.
  • O que é o Epic, o produto da Deborah? É um builder de aplicativos com IA que combina educação e uma ferramenta de construção com versão para terminal e web. A promessa é gerar apps de nível produção, com arquitetura organizada para agentes de IA e manutenção por desenvolvedores.
  • Vibe coding substitui saber engenharia? Segundo a própria Deborah, não. A IA faz a maior parte, mas sobram tarefas que exigem noção técnica, principalmente quando o projeto ganha usuários reais e começa a dar problemas de arquitetura.
  • O Epic é melhor que o Lovable? Depende do objetivo. Para protótipos rápidos, o Lovable entrega valor em segundos. Para um projeto que precisa de manutenção e crescer, a aposta do Epic é a etapa de planejamento e a estrutura de código previsível.
  • Vale pagar assinatura de IA? A comparação dela é com o custo de contratar: um desenvolvedor custa dezenas de milhares de reais, enquanto uma assinatura de Claude fica em torno de algumas centenas por mês. Se a ferramenta economiza horas suas ou de terceiros, a conta fecha.

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