Pular para o conteúdo
← Voltar para o Skalablog

Artigo publicado

Como transformar a AbacatePay em gateway de R$ 1 milhão

Produtos e NegóciosStripe

A AbacatePay quer processar R$ 1 milhão via Pix até dezembro de 2025. Em 27 de dezembro de 2024, quando o roteiro foi publicado, o gateway ainda não havia transacionado nenhum real. O plano de Daniel Lima e do sócio Cris combina metas mensais escalonadas, entrada em produção em janeiro e beta de cripto em fevereiro.

O que é a AbacatePay e de onde sai a meta de R$ 1 milhão

A AbacatePay é um gateway de pagamento brasileiro focado em Pix, criado por Daniel Lima e seu sócio Cris dentro da Purple Box. Em dezembro de 2024 o serviço rodava só em modo de desenvolvimento, sem nenhum real processado. A meta declarada é sair de zero para R$ 1 milhão transacionados até dezembro de 2025.

A aposta faz sentido para quem procura alternativa nacional ao Stripe, plataforma de pagamentos para negócios na internet. A AbacatePay cobra taxa fixa de R$ 0,80 por transação, e a base já tinha cerca de 800 cadastros antes da versão de produção existir. A entrada em produção ficou marcada para a primeira semana de janeiro de 2025, com um fluxo de KYC (know your customer) enxuto: só as informações mínimas para a empresa confiar no desenvolvedor e vice-versa.

O plano foi publicado em vídeo de 42 minutos no canal de Daniel Lima, no fim de 2024, e assume um risco raro: falar do futuro antes de colher o resultado. Se dezembro chegar sem a meta batida, o histórico fica registrado. Em troca, o projeto ganha audiência acompanhando cada etapa.

Purple Box: os produtos por trás do gateway

A Purple Box é a empresa-mãe que abriga os produtos do duo, embora Daniel brinque que é uma "hold de brincadeira". O primeiro sucesso foi o AlertPix, que alcançou usuários globais, incluindo o streamer Caveirinha, em Portugal. Depois vieram o Pix Mia Coffee, a TechEars e a própria AbacatePay, além de experimentos que falharam e ficaram de fora do foco de 2025.

A TechEars merece atenção porque muda de modelo no roteiro. Lançada no começo de 2024 com o parceiro Arthur, ela ensina inglês no contexto de desenvolvedores, algo que o Duolingo não cobre: aprender uma língua geral não ensina o vocabulário técnico do dia a dia de código. Em 2025 a cobrança deixa de ser assinatura mensal e passa a ser pagamento único, com meta de 5.000 usuários ativos até setembro. Parte da receita voltaria para a comunidade, pagando professores de inglês para ajudar quem está estudando.

Ainda em janeiro, o time planejou criar o site institucional da Purple Box para listar tudo que a holding produz, tarefa avaliada em meia jornada de trabalho.

Metas mês a mês da AbacatePay em 2025

O coração do plano é uma escada de metas que sobe devagar no primeiro trimestre e acelera depois. Cada mês tem um volume-alvo no Pix e um objetivo de produto ou de mercado. A tabela abaixo resume o roteiro anunciado em dezembro de 2024.

MêsMeta de produtoVolume no Pix
JaneiroEntrar em produção, 10 SaaS ativos, site da Purple BoxR$ 5.000
Fevereiro50 SaaS, produção de cripto, contratar 2 pessoasR$ 25.000
MarçoPrimeiro tráfego pago, MVP de produto secretoR$ 50.000
Abril100 SaaS integrados, automatizar marketing (10% da meta)R$ 100.000
MaioSplit payment, hackathon com premiaçãoR$ 150.000
JunhoRevisar metas de crescimentoR$ 200.000
JulhoPlugins para marketplaces como VTEXR$ 300.000
AgostoPrograma de parceiros, primeiro vendedorR$ 400.000
SetembroTechEars consolidada com sotaques variados5.000 usuários ativos
OutubroEventos presenciais com a marca Purple BoxR$ 600.000
NovembroEstratégia de expansão na América LatinaR$ 750.000
DezembroRetrospectiva pública do anoR$ 1 milhão

Daniel classifica as metas do primeiro trimestre como pouco agressivas, porque a base de 800 cadastros já existia. O ponto de virada aparece em março, quando a estratégia passa do crescimento orgânico, feito no YouTube e no Twitter, para tráfego pago, depois de estabilizar suporte e fluxo de produção. Em abril, com 100 SaaS integrados, o ano já teria 10% da meta final garantida.

Cripto, split payment e integrações com marketplaces

Duas novidades técnicas marcam o segundo semestre. A primeira é o beta de transações em cripto, previsto para desenvolvimento em janeiro e produção em fevereiro de 2025. Segundo Daniel, a AbacatePay seria um dos poucos gateways brasileiros a aceitar criptomoedas, embora detalhes da implementação tenham ficado guardados no anúncio. Trate isso como promessa do fundador, não como recurso lançado: até a data do vídeo, o beta existia apenas em modo de desenvolvimento.

A segunda é o split payment, recurso muito pedido por quem vende com parceiros e previsto para maio. Em julho vem a expansão para marketplaces, com plugin para a VTEX e desacoplamento do nicho de SaaS, permitindo que qualquer produto que receba Pix use o gateway.

Essas escolhas seguem uma lógica de prioridade: primeiro fechar o fluxo básico de produção e suporte, depois abrir novos meios de pagamento e novos verticais. O risco de mudar tudo ao mesmo tempo aparece na analogia do próprio fundador, a de um balde furado: não adianta jogar tráfego pago antes de consertar o vazamento. O produto não é ruim, diz ele, mas suporte e fluxo de produção ainda precisavam de ajuste em março.

Bootstrap, time enxuto e evento de indie hacking

Todos os produtos da Purple Box são bootstrap desde o dia um: sem venture capital, sem angel investment, sobrevivendo do que os clientes pagam. O time recusa propostas de investimento com frequência, mesmo sendo tentadoras, e planeja usar a TechEars em 2025 como terreno de teste para o jogo de colaborações com outras empresas, como um robozinho enviado à frente antes de aplicar o aprendizado no gateway.

As contratações crescem aos poucos e sem CLT: mais duas pessoas em fevereiro de 2025 e um time de vendas a partir de agosto. Até então, design, marketing e engenharia eram feitos pelos dois fundadores com ajuda pontual de amigos. Se você gosta do design da AbacatePay, foi eles mesmos que pensaram.

Fevereiro também reserva o planejamento de um evento presencial de indie hacking, provavelmente em São Paulo, patrocinado pela AbacatePay e com entrada livre, no estilo da palestra do Igor no Front in Sampa sobre lançar rápido sem se preocupar com o que não importa no começo. A ideia nasceu das andanças de 2024, quando Daniel esteve em cerca de quatro eventos: o ASAS Connect, do concorrente, onde viu o gap que soluções engessadas deixavam aberto, o G4 Valley, mais voltado a empresários, o evento do Prime, seu primeiro da vida, e o Front in Sampa, onde conheceu Zeno Rocha e Eric Wendel pessoalmente, inclusive num bar na travessa da Avenida Paulista.

Construir em público: a lição de 2024

O anúncio das metas é, ele próprio, uma estratégia de conteúdo. Daniel afirma que falar do passado é fácil, porque dá para dizer que superou expectativas, enquanto prometer resultados de dezembro expõe o risco de falhar em público. A aposta é que a transparência cria comunidade e retém mais atenção que anúncio pago, motivo pelo qual ele recomenda investir em conteúdo em 2025.

Essa cena não é exclusividade dele. O criador Gustavo Dev Doido segue caminho parecido com a comunidade Crazystack e com o Bootcamp do Dev Doido, mostrando como documentar a jornada de quem constrói software no Brasil. Quem acompanha os dois percebe o mesmo padrão: audiência que assiste à construção vira cliente muito mais curiosa que audiência de anúncio.

O formato também mudou: vídeos de 25 a 30 minutos, em estilo de áudio, para acompanhar lavando louça ou na academia, substituindo os cortes de 8 minutos. A referência declarada é o Bruno PH, dono da Loud, que grava uma série diária ligando a câmera e falando sem edição, como também faz o Nando Moura e outros veteranos do formato, do tempo em que Silvio Santos comandava a TV ao vivo. O próprio Daniel admite que gravar sem edição exige saúde e comunicação afiadas, e por isso incluiu nas metas pessoais jiu-jitsu, cortar refrigerante (difícil, porque ele se declara viciado em Coca Zero) e melhorar a alimentação.

Transacionar R$ 1 milhão não é lucrar R$ 1 milhão

A métrica mais honesta do plano é a admissão do próprio fundador: transacionar é diferente de lucrar, e a métrica de volume é "burra". Com taxa fixa de R$ 0,80 por transação, R$ 1 milhão processados em uma única operação renderiam 80 centavos para a empresa, e a meta de dezembro estaria batida.

Por isso ele considera mais sensato olhar o número de transações, não só o volume, e admite que a cobrança pode migrar para percentual no futuro. Existem métricas internas que ele não revelou no vídeo. Em 2024 a AbacatePay nasceu de um gap observado no ASAS Connect: soluções engessadas demais para quem lança rápido. Em 2025 o teste é provar que dá para servir esse público com suporte decente e taxa simples, e a retrospectiva pública de dezembro revelará se a escada de metas se sustentou.

A AbacatePay já processa pagamentos de verdade?

No anúncio do roteiro, em dezembro de 2024, ainda não: tudo rodava em modo de desenvolvimento. A entrada em produção estava marcada para a primeira semana de janeiro de 2025, com fluxo de KYC enxuto e meta de 10 SaaS no primeiro mês.

Quanto a AbacatePay cobra por transação?

A taxa anunciada era fixa, de R$ 0,80 por transação. O fundador admite que esse modelo pode mudar para percentual ao longo do tempo, justamente porque volume transacionado não equivale a receita da empresa.

A AbacatePay aceita criptomoedas?

O plano previa beta de cripto em modo de desenvolvimento já em janeiro de 2025 e produção em fevereiro, mas isso era promessa do roteiro, não recurso lançado. Acompanhe a documentação oficial do gateway para o status atual.

A Purple Box levanta investimento?

Não até agora. Todos os produtos, incluindo o AlertPix e a TechEars, são bootstrap: sem venture capital, sobrevivem do que os clientes pagam. A TechEars deve testar colaborações com outras empresas em 2025.

O que muda na TechEars em 2025?

A cobrança deixa de ser assinatura e vira pagamento único, provavelmente acima dos R$ 15 mensais cobrados antes. A meta é 5.000 usuários ativos até setembro, com professores de inglês pagos para a comunidade.

O que é o hackathon da AbacatePay?

Previsto para maio, com premiação, o formato pede um MVP que integre o gateway, possivelmente com mais um parceiro. Daniel quis chamar jurados como Lucas Montano e seu amigo Augusto Galiego. O critério central: o produto precisa usar AbacatePay.

Como a AbacatePay vai expandir fora do Brasil?

Em novembro está prevista a formalização de uma estratégia para a América Latina. O AlertPix já cruzou essa barreira antes, com usuários de vários países, entre eles o streamer Caveirinha, em Portugal. A TechEars também deve acompanhar, com sotaques de devs dos Estados Unidos, da Índia e da Austrália.

Como acompanhar se as metas foram batidas?

Daniel se comprometeu a publicar atualizações durante 2025 e uma retrospectiva em dezembro comparando o realizado com o prometido no vídeo original do roteiro. O road map completo, com o que realmente foi feito, seria publicado no fim do ano.

Do roteiro de vídeo ao plano que todo mundo consegue acompanhar

O roteiro público da AbacatePay funciona porque cada meta tem data, número e dono, e um texto bem estruturado torna esse plano recuperável muito além do áudio. Se você também registra conhecimento, opiniões ou aulas em vídeos no YouTube, dá para transformar esse material em artigo com o fluxo simples do Skala Blog: cole a URL do vídeo, gere a transcrição e receba um artigo pronto para revisar e publicar.

Source video