# Como Seu Elias transformou uma barbearia em império?

> Published 2026-10-05T10:58:06.000Z on https://www.crazystack.com.br/pt/p/como-seu-elias-transformou-uma-barbearia-em-imperio/
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Seu Elias provou que o limite de um negócio está no modelo, não na profissão. Ele saiu de uma barbearia de bairro para construir uma marca premium com 12 unidades, 92 profissionais e um ecossistema com mais de 25 frentes, incluindo cursos, mentoria e cosméticos.

## Como Seu Elias transformou uma barbearia em negócio de luxo

Seu Elias, nome real Elias Torres, é fundador do Grupo Seu Elias e referência no mercado de barbearia no Brasil. Ele transformou uma barbearia de bairro em uma operação premium com 12 unidades, 92 profissionais e um ecossistema de negócios com mais de 25 frentes.

A virada começou quando ele percebeu que o limite da profissão estava no próprio modelo de negócio. Em 2014, investiu cerca de R$ 600 mil, valor financiado em parte por cheque especial e empréstimos, para montar uma barbearia premium em Belo Horizonte. A estrutura era pensada para um público A e B: estacionamento, manobrista, concierge no lugar de recepcionista e identidade visual de alto padrão.

A escolha estratégica foi pela escala vertical, não horizontal. Poucas unidades, todas premium e muito bem localizadas, em vez de dezenas de lojas populares. Essa decisão preservou a percepção de valor e permitiu cobrar mais por cada atendimento.

## A oportunidade que ninguém viu: jogadores de futebol na cadeira

A porta de entrada para o mercado premium apareceu em 2008, quando o segurança de um jogador de futebol levou o filho para cortar cabelo na barbearia de bairro de Seu Elias. O atendimento atencioso gerou a indicação que mudou tudo.

Ele começou a atender jogadores do Atlético Mineiro, como Márcio Araújo, e registrou tudo com câmeras simples, postando as fotos no Orkut. Quando o Instagram surgiu, em 2012, migrou o conteúdo para a nova rede e ampliou o alcance para atletas do Cruzeiro.

Ainda em 2014, ao saber que a seleção argentina treinaria na Cidade do Galo, Seu Elias fez uma venda ativa: ligou para o supervisor do Atlético e se colocou à disposição. Foram 13 visitas em um mês até cortar o cabelo de Messi. A foto do corte virou 36 matérias nacionais e 8 internacionais, e a fila de espera da barbearia chegou a 15 dias.

## Escala vertical: por que poucas unidades premium vencem muitas lojas

A escala vertical significa menos unidades e mais valor por atendimento. Seu Elias explica que cada loja precisa estar à altura do público que atende, porque o cliente de alto padrão não associa sua imagem a um espaço mediano.

A experiência vai além do corte. Estacionamento com manobrista, segurança na porta, café de qualidade, música ambiente e profissionais bem apresentados fazem parte do pacote. O cliente se sente no lugar certo antes mesmo de sentar na cadeira.

Essa lógica de troféus valorizados pelo ICP, o público ideal, guia cada decisão. O público A valoriza estrutura, segurança, estacionamento e aparência. Não faz sentido abrir barbearia de luxo sem esses elementos.

## O ecossistema Seu Elias: 25 frentes de negócio

Depois de consolidar as barbearias, Seu Elias criou braços educacionais e produtos que transformaram reputação em receita escalável. Hoje o grupo opera mais de 25 frentes.

As principais frentes incluem:

- **Barbearias premium**: o motor um, base de autoridade e ponto de validação do método.
- **Barber Day Universitary**: evento educacional que começou como Barber Day com Seu Elias e rodou o Brasil.
- **Bab Cosméticos**: linha de produtos físicos que alimenta barbearias, alunos e eventos.
- **Mentoria e mastermind**: programas para donos de barbearia e empresários de outros nichos.

Curiosamente, as barbearias não são mais a frente com maior lucro. Elas continuam sendo o chão de fábrica, o que dá autoridade para falar e vender todo o resto do ecossistema.

## Sair da cadeira sem quebrar o negócio

O maior desafio de um negócio personalíssimo é fazer o cliente aceitar outro profissional. Seu Elias treinou a equipe para transferir autoridade de forma intencional, com gestos simples como cumprimentar, oferecer Wi-Fi e garantir que o cliente se sinta bem-vindo por qualquer pessoa do time.

O resultado aparece na retenção: o grupo tem profissionais com 12 anos de casa, algo raro no mercado de beleza. Isso prova que a cultura e o padrão de atendimento sobrevivem sem a presença constante do fundador.

A saída do operacional técnico, ficar na cadeira, foi gradual e consciente. Ele continuou na operação como gestor, mas parou de trocar tempo por dinheiro exclusivamente atrás da cadeira.

## Por que o dono não deve dar o próprio nome ao negócio

Seu Elias admite que, com a visão atual, não teria usado o próprio nome na marca. Negócios personalíssimos, como barbearia, odontologia ou dermatologia, sofrem quando o nome do dono desvaloriza o trabalho dos outros profissionais.

Ele compara com o caso de um médico amigo em Belo Horizonte, preso ao consultório porque o nome na placa cria a expectativa de que só ele resolve. O cliente espera semanas pelo titular e recusa os demais profissionais.

A solução aplicada no grupo foi remover o nome pessoal dos braços de negócio. O curso virou Barber Day Universitary, sem o 'com Seu Elias', e a linha de cosméticos passou por rebranding para Bab Cosméticos. Ele continua sendo o rosto e o maior influenciador, mas a marca pertence à operação, não à pessoa.

## Branding e posicionamento: a consulta que valia R$ 500 virou R$ 2.300

Seu Elias usa um exemplo pessoal para provar o valor do branding. Ele consultou dois cardiologistas com diagnóstico idêntico para hipertensão. O primeiro cobrou R$ 2.300 em um consultório com fachada impecável, café, música e recepção caprichada. O segundo, tecnicamente tão bom ou melhor, cobrou R$ 500 em um prédio antigo, sem projeto, com secretária sem uniforme e caderno de anotações.

A diferença não foi competência, foi posicionamento. Ele define posicionamento como o lugar que a marca ocupa na mente das pessoas. Quando o profissional certo se apresenta mal, o mercado paga menos pelo mesmo serviço.

A frase que resume a filosofia: marca ruim não vende nem o melhor produto. Investir em designer, projeto arquitetônico e identidade visual não é supérfluo, é o que separa um negócio de valor de um negócio de custo-benefício.

## Como tirar um negócio do zero, segundo Seu Elias

Seu Elias lançou o livro 'A Arte de Empreender do Zero' e resume os pilares que usou para construir o grupo sem investidor, sócio com capital ou padrinho.

Os passos essenciais:

1. Acredite na profissão. Ele nunca duvidou de que cortar cabelo podia mudar sua história.
2. Tenha visão de futuro. Negócio grande não nasce da noite para o dia.
3. Cuide do nome. CPF limpo, score bancário e crédito na praça são pré-requisitos para conseguir os primeiros R$ 30 mil.
4. Escolha sócios com competências complementares. Dois camisa 10 no mesmo time não funciona.
5. Venda o projeto para o cônjuge primeiro. A concordância em casa sustenta a maratona.
6. Comece pela identidade: nome, registro no INPI, marca, Instagram, site e fotos.
7. Valide o ponto comercial. O negócio certo no lugar errado nunca chega onde merecia.

Sobre o INPI, ele cita o caso de um aluno que construiu uma marca viral sem registrar e perdeu tudo quando o dono original apareceu. Consultar o órgão antes de investir em identidade visual é obrigatório.

## Como crescer sem perder a paz em casa

Seu Elias é casado com Lisa há anos e pai de duas meninas, Clarinha e Catarina. Ele afirma que a coisa que mais ama é ser marido, e coloca a esposa antes dos filhos por uma razão prática: casal que se cuida gera amor dobrado para os filhos.

O método familiar se resume a três práticas:

- **Agenda compartilhada**: apresentações escolares, consultas, férias e jantares a dois ficam bloqueados na agenda do iPhone que o casal divide. A equipe não pode mexer.
- **Combinados antecipados**: quando entra em uma fase intensa de trabalho, ele avisa a família por quantos dias será ausente e agenda o dia de compensação.
- **Crédito conjugual**: respeitar a maioria dos compromissos cria crédito para as exceções. Quando ele precisa faltar, a esposa entende sem conflito.

Ele usa a frase 'sai e quebra tudo lá fora, mas volta pra base' para resumir a filosofia. Dinheiro sem família, na visão dele, produz apenas mais um milionário frustrado e sozinho.

## Alta performance: o hábito que transformou a vida de Seu Elias

Em 2018, Seu Elias foi diagnosticado com depressão ou burnout, dependendo do médico. Ficou dois anos tomando antidepressivo e saiu do quadro há alguns anos, conforme relata no episódio.

A virada veio em 2020, quando entrou na academia de forma consistente. Associou o treino à reposição hormonal com prescrição médica, suplementação e acompanhamento profissional. Perdeu 15 kg e ganhou disposição física e mental para as viagens e palestras.

O hábito que ele destaca não é motivação, é disciplina. Treina às 5h30 da manhã, todos os dias, inclusive nos dias em que não tem vontade. A frase do personal resume: difícil é vencer os três primeiros anos, depois o hábito se sustenta sozinho.

## Perguntas frequentes sobre o Grupo Seu Elias

- **Quantas unidades a barbearia Seu Elias tem?** O grupo opera 12 unidades premium, todas com posicionamento de alto padrão e público A e B. A escolha foi por escala vertical, priorizando qualidade e experiência em vez de volume de lojas.

- **Quem é Seu Elias?** Elias Torres é empreendedor, autor do livro 'A Arte de Empreender do Zero' e fundador do Grupo Seu Elias. Ele começou como barbeiro aos 13 anos e transformou a profissão em um ecossistema com mais de 25 frentes de negócio.

- **Seu Elias cortou o cabelo de Messi?** Sim. Em 2014, durante a passagem da seleção argentina pela Cidade do Galo, em Belo Horizonte, ele fez 13 visitas até atender Messi. A foto do corte rendeu 36 matérias nacionais e 8 internacionais.

- **Quais são os braços de negócio do Grupo Seu Elias?** Além das barbearias, o grupo tem o evento Barber Day Universitary, a Bab Cosméticos, cursos, mentoria e mastermind. O ecossistema passa de 25 frentes.

- **Por que Seu Elias defende não colocar o nome do dono na marca?** Porque negócios personalíssimos sofrem quando o cliente só aceita o titular. A marca com nome próprio desvaloriza os outros profissionais e prende o dono ao operacional.

## Da barbearia de bairro ao conteúdo que escala

A história de Seu Elias mostra que conhecimento valioso não precisa ficar preso em conversas de bastidor ou em episódios de 83 minutos. Cada entrevista como essa esconde métodos de vendas, branding e gestão que merecem ser encontrados por quem pesquisa.

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Este artigo foi criado a partir de um episódio do podcast Como Você Fez Isso?, com apresentação de Caio Carneiro. Para quem quer reaproveitar esse tipo de conteúdo, uma alternativa técnica é o [CrazyStack Typescript](https://crazystack.com.br).

[Source video](https://www.youtube.com/watch?v=eMtGNxh2NUg)
