A mudança de carreira de Giovanna Pagano começou com um perfil criado em outubro de 2019, enquanto ela ainda era estagiária de direito criminal. Nesta conversa com Lisa Guerra, ela explica como saiu da advocacia, virou apresentadora do Omelete e subiu ao palco da CCXP sem nunca ter planejado cada etapa.
O que falar com Giovanna Pagano ensina sobre escolhas
A entrevista do episódio 06 do Lisa Analisa mostra como pequenas decisões constroem uma trajetória inteira. A criadora de conteúdo Giovanna Pagano conversa com Lisa Guerra sobre luto, nostalgia, e sobre a mudança de carreira que a levou da advocacia à apresentação no Omelete.
A conversa tem 32 minutos e mistura temas pessoais e profissionais. Você acompanha desde a relação dela com Neon Genesis Evangelion até a pressão de entrevistar elencos gigantes em inglês. O fio condutor é a ideia de que não existe caminho único, e que cada escolha molda quem você se torna.
Por que Evangelion marcou tanto Giovanna Pagano?
Porque ela assistiu ao anime dois meses depois de perder a mãe por suicídio, e a obra trata exatamente de depressão e trauma. Giovanna explica que sentiu que o anime a encontrou, e não o contrário.
Ela se identificou com a personagem Asuka, que também perdeu a mãe em condições semelhantes. Mesmo sem se espelhar na personalidade de Asuka, diz entender por que ela age como age. Para Giovanna, histórias conversam com histórias: a percepção de uma obra depende da vivência de quem assiste.
Ela resume a ideia com a metáfora do trauma central. Um trauma não é um pedaço quebrado de uma estátua, algo disruptivo e externo. Ele é o material que molda a estátua inteira, transformando quem a pessoa se torna a partir dali.
A reflexão ecoa o que a literatura de terapia cognitivo-comportamental discute sobre crenças centrais formadas por experiências marcantes, como nos livros de Judith Beck e de Keith Dobson citados nas referências do episódio.
Como foi a mudança de carreira da advocacia para a cultura pop
Giovanna escolheu direito porque, na época do vestibular, a pressão era escolher entre medicina, engenharia e advocacia. Formada, trabalhava com direito criminal quando criou um perfil de cultura pop em outubro de 2019, ainda como estágiaria.
A pandemia acelerou tudo. Com os estagiários demitidos e a faculdade remota, ela passou a dedicar mais tempo à página e fez conteúdos sobre Harry Potter e sobre a série Dark. Um desabafo nos stories resultou em lives convidadas, e a Legião dos Heróis a contratou como apresentadora.
Depois veio a Iron Studios, empresa de colecionáveis, onde começou como apresentadora bilíngue e cresceu para redes sociais e marketing. Foi ali que ela entendeu que não voltaria ao direito. Três anos e meio depois, o Omelete a convidou para ser apresentadora, com passagem pela CCXP incluída.
As etapas da trajetória em ordem
O caminho dela seguiu uma sequência que você pode acompanhar linha a linha:
| Etapa | O que aconteceu | Ano ou período |
|---|---|---|
| Faculdade de direito | Escolha movida pela tríade medicina, engenharia e direito | Antes de 2019 |
| Perfil próprio | Página de cultura pop criada durante o estágio em direito criminal | Outubro de 2019 |
| Legião dos Heróis | Primeira contratação como apresentadora, ainda com salário baixo | Pandemia |
| Iron Studios | Apresentadora bilíngue, depois marketing e redes sociais | Cerca de 3 anos e meio |
| Omelete e CCXP | Primeira recusa do convite, depois aceita apresentar palco | 2023 |
Detalhe curioso dessa linha do tempo: o Omelete a convidou para ser apresentadora em 2023, e ela recusou a primeira proposta porque o canal passava por uma fase difícil. Meses depois, receberam o convite apenas para apresentar o palco do canal na CCXP, e ela aceitou.
O palco de Duna na CCXP 2023
A apresentação de Duna na CCXP 23 foi o momento que Giovanna mais guarda da carreira. Ela nunca tinha subido a um palco antes daquele evento, e sua segunda entrevista de vida em inglês aconteceu diante de milhares de pessoas.
No último dia, durante o aquecimento do painel de Duna, com Zendaya, Denis Villeneuve, Timothée Chalamet, Austin Butler e Florence Pugh no line-up, o veterano Reinaldo chamou Giovanna para fazer as honras e puxar o elenco ao palco. Para ela, um veterano dizer que o palco era dela valia mais que o resultado da entrevista.
Ela mesma admite que a entrevista não foi a melhor que já fez, porque parte dos convidados estava nervosa em um palco gigante. O valor do momento estava na realização pessoal e no reconhecimento do esforço acumulado, e não na performance daquele bate-papo específico.
Remakes e nostalgia: por que as obras voltam
Giovanna vê a onda de remakes e séries como uma ponte com quem a gente era. Percy Jackson, Senhor dos Anéis e Harry Potter retornam em novas versões, e ela relê as obras com 27 anos, num momento de vida completamente diferente.
Na entrevista, Lisa lembra uma conversa com a equipe do filme Sexta-Feira Muito Louca Ainda, que justificou a sequência pela necessidade de nostalgia em tempos difíceis. Giovanna concorda em partes: ela se cansa do revival, mas defende o equilíbrio entre releituras e obras originais.
Sobre a nova série de Harry Potter, ela tem sentimentos mistos. A franquia envelheceu bem e não passou por renovação geracional, algo que Animais Fantásticos não entregou. A recontagem da história original parece o caminho seguro que a Disney segue com Star Wars.
Quando o hobby vira trabalho
Trabalhar com o que gosta tem um custo que Giovanna conhece bem. Quando ela engata em um jogo, como Pokémon Legends Arceus ou The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom, para de ler e de criar conteúdo, e o videogame vira mais uma pauta em potencial.
Por isso ela joga pouco, e prefere assistir o namorado jogar no PlayStation. A exceção rendeu: um vídeo sobre a tortura do coelho de pelúcia em It Takes Two viralizou, provando que conteúdo nasce de paixão genuína, não de obrigação.
O contrário também acontece. Lisa confessa que guarda Gravity Falls a sete chaves justamente para não transformar a série favorita em trabalho. Giovanna diz não ter esse limite com séries e filmes, e percebe que o conteúdo feito de coração ressoa mais com a comunidade, como aconteceu com seus vídeos sobre Evangelion.
A lição central: você sempre pode escolher de novo
A maior lição do episódio é que a sociedade impõe roteiros que ninguém é obrigado a seguir. Giovanna acreditava que, com emprego fixo, nunca faria seu sonhado intercâmbio. Decidiu que faria e passou 20 dias em Roma.
Ela também não se espelhou em ninguém para construir a carreira, citando o discurso de Matthew McConaughey no Oscar: o alvo é quem você será daqui dez anos, não a posição de outra pessoa. O direito, aliás, segue útil na comunicação e na leitura de processos.
A síntese dela vale para qualquer decisão: nossos episódios passados nos deram a liberdade de escolha de hoje. O que importa é o agora, e o que você faz com ele.
Perguntas frequentes
- Quem é Giovanna Pagano? É criadora de conteúdo de cultura pop e apresentadora do Omelete, canal brasileiro de cinema e séries. Ela assina o perfil @umageekmedisse no Instagram e no TikTok e já foi advogada antes de migrar para a comunicação.
- Quanto tempo levou a transição de carreira dela? Da criação do perfil em outubro de 2019 até o palco da CCXP em 2023 se passaram cerca de quatro anos, com passagens pela Legião dos Heróis e pela Iron Studios no meio do caminho.
- Ela planejou virar apresentadora? Não. Ela criou a página por gosto, aceitou convites conforme surgiram e recusou a primeira proposta do Omelete. A própria entrevista descreve a trajetória como uma soma de oportunidades, e não como um plano.
- A advocacia foi desperdiçada? Para ela, não. Giovanna diz que o curso melhorou sua comunicação e que o conhecimento jurídico ainda ajuda no dia a dia. Ela defende que nenhuma etapa anterior da vida é perda, e sim alicerce.
- Qual a dica principal para quem quer mudar de área? Fazer o seu melhor no trabalho atual, testar o novo território em paralelo e não tentar copiar o caminho de ninguém. As oportunidades dela nasceram justamente de conteúdos feitos por paixão.
Transforme suas entrevistas em artigo
Uma conversa de 32 minutos como essa carrega lições que se perdem quando ficam presas só no vídeo. Se você entrevista pessoas, ensina algo ou conta histórias em vídeo, o mesmo vale para o seu canal: existe material escrito esperando dentro dos seus episódios.
O Skala Blog transforma um vídeo do YouTube em transcrição e depois em artigo estruturado, pronto para você revisar. Basta colar o link do vídeo no site e seguir para o rascunho.
Cada decisão editorial sua pode alcançar quem prefere ler a quem assiste, do jeito que Giovanna descreveria: o que importa é o que você faz com o material que já tem em mãos.
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