Build in public é a prática de documentar publicamente a construção de um produto, compartilhando ideias, métricas e aprendizados desde o primeiro dia. É o oposto da startup stealth: em vez de esconder, você mostra. Este guia explica de onde veio o movimento, quem o lidera e como você começa ainda esta semana.
O que é build in public e por que ele existe
Build in public, ou construir em público, é a prática de compartilhar abertamente a jornada de criar um produto: a ideia, o código, as métricas, os erros e a receita. O contraste é direto com a startup stealth, que esconde tudo até o lançamento. O argumento central do movimento é simples: ideia vale pouco, execução vale tudo.
Daniel Lima, fundador da Abacate Pay, empresa de pagamentos construída sobre essa tese, resume o espírito do movimento em um vídeo de 2025: em vez de medo de ser copiado, você compartilha o máximo possível para conquistar uma base de usuários e criar algo concreto. A exposição vira marketing autêntico e validação antecipada.
Existem limites óbvios. Dados sensíveis de clientes, informações bancárias e segredos que comprometem a operação seguem fora do alcance público. Mostrar o processo não significa abrir tudo, significa abrir o suficiente para criar conexão e prova de trabalho.
Stealth startup: o modelo que o movimento contesta
Por décadas, o roteiro padrão de startup era o modo stealth. O fundador captava com um fundo grande, contratava equipe, fechava a sala com ar-condicionado e ninguém sabia o que estava sendo construído. A empresa stealth, muitas vezes sem nome e sem logo, trabalhava em segredo por meses ou anos antes de validar a ideia.
Daniel Lima conta, no vídeo, uma anedota reveladora: recebeu um convite de uma empresa cujo perfil no LinkedIn exibia apenas "Stealth Company" como logotipo. A analogia que ele faz é ácida: todo esse suspense reduzido a uma palavra é medo. Medo de copiadores, de concorrentes e de expor uma ideia não testada.
O build in public nasce exatamente como o oposto desse comportamento. Você assume desde o primeiro dia que o público pode ver o que você faz, e transforma a audiência em parte do processo. A aposta é que o feedback e a distribuição orgânica compensam o risco teórico de imitação.
De onde veio o movimento: de blogs a salários abertos
Não existe um único criador do build in public. Os primeiros registros são os blog posts dos primórdios da internet. Um exemplo clássico citado no vídeo é a Basecamp, cujos fundadores escrevem publicamente sobre processo e produto desde os anos 2000, antes de o termo sequer existir.
O momento marcante veio em 2013, quando o fundador da Buffer publicou um blog aberto com uma planilha dos salários de todos os funcionários, incluindo o do CEO, e a fórmula usada para calculá-los. A transparência radical de uma empresa inteira gerou um boom de interesse e encorajou outros fundadores a fazerem o mesmo.
Em 2014, o fundador do Product Hunt publicou o artigo clássico sobre por que você deveria construir em público, e a própria plataforma se tornou o palco natural de lançamentos públicos. Mais tarde, Sahil Lavingia abriu todo o código da Gumroad, tornando a empresa inteira open source e eliminando qualquer resquício de cultura stealth.
Foi nesse contexto, entre 2013 e 2015, que a cena de startups absorveu a ideia de que ser 100% stealth não era mais obrigatório. O indie hacking, como movimento, nasceu em paralelo: o site Indie Hackers documenta receitas e jornadas de fundadores solo justamente nessa mesma filosofia de abertura.
Peter Levels: a referência máxima do construir em público
Peter Levels, criador independente conhecido pelo handle @levelsio, é apontado no vídeo como o nome mais forte do build in public e do indie hacking. Ele não criou o movimento, mas tornou-o visível em escala. Sua trajetória mostra como a transparência vira distribuição.
Entre 2014 e 2015, ele lançou 12 startups em 12 meses, documentando cada uma publicamente. Ele constrói com tecnologias simples, como PHP e jQuery, em vez de frameworks de última geração, e entrega produtos que geram receita relevante. Em 2017, fez uma live na Twitch construindo um produto do zero junto com a comunidade.
Dois projetos se tornaram marcas dessa fase: o Nomad List, que compara cidades para nômades digitais, e o Remote OK, quadro de vagas remotas. Ambos nasceram em público. Levels mantém painéis públicos de métricas e receita, e o próprio Daniel Lima nota que há quem desconfie dos números, embora não exista prova pública de fraude.
O movimento continua atual. Em 2025, Levels construiu publicamente um jogo de avião feito com inteligência artificial, e o projeto atraiu patrocínios de dezenas de empresas do Vale do Silício, segundo o relato de quem acompanha a jornada. O caso ilustra a tese central: quem constrói em público acumula audiência, e audiência vira receita.
Build in public no Brasil: quem está fazendo agora
O movimento não é exclusividade gringa. No Brasil, o próprio Daniel Lima constrói a Abacate Pay em público, e a comunidade de indie hackers brasileira que ele funde reúne cerca de 10 mil pessoas, segundo o vídeo, acompanhando jornadas abertas.
Entre as referências citadas estão Bruno Akamoto, que produz conteúdo sobre microcases e hoje constrói uma solução abertamente, e Thiago, seu parceiro de projeto no canal Construindo Uma Startup, onde os dois descobrem o produto junto com o público. Fernanda Kieper, YouTuber de conteúdo tech, também está construindo a própria solução em público.
Outro caso é o Real Oficial, de Antônio, que publica métricas do que constrói sozinho, sem cofundador, e usa a Abacate Pay como infraestrutura de pagamento. A lição prática para encontrar mais gente: abra os comentários de um post de Peter Levels no X (antigo Twitter) e navegue pelas respostas até achar pessoas cuja jornada faça sentido para você.
Como começar a construir em público nesta semana
Você não precisa de produto pronto, logo ou empresa registrada para começar. O movimento valoriza começo feio e documentado. Um roteiro mínimo, baseado nas práticas dos casos deste artigo:
- Escolha o canal onde sua audiência já está, geralmente o X, o LinkedIn ou o YouTube, e poste a ideia mesmo sem nome ou identidade visual.
- Defina o que fica aberto e o que fica fechado: processo, aprendizados e métricas de crescimento entram; dados de clientes e segredos operacionais ficam fora.
- Publique com frequência curta e constante, como fazem os criadores citados aqui, em vez de esperar marcos grandes.
- Compartilhe números quando puder, porque métricas públicas geram confiança e atraem os primeiros usuários.
- Interaja com quem comenta, procure comunidades como o Indie Hackers e trate cada seguidor novo como parceiro do processo.
FAQ: perguntas diretas sobre build in public
- Build in public é só para startups de tecnologia? Não. O movimento se aplica a produtos B2B e B2C, empresas que captam capital de risco e projetos solo. A Gumroad é open source e segue filosofia aberta; criadores de conteúdo também documentam jornadas sem escrever uma linha de código.
- Compartilhar a ideia não aumenta o risco de cópia? O argumento do movimento é que ideia é só ideia, e o valor está na execução. Quem mostra o processo cedo conquista usuários e feedback que compensam esse risco teórico, mas você decide o que abre, e dados sensíveis nunca entram.
- Quem começou o build in public? Não há um criador único. Blogs dos anos 2000, como o da Basecamp, já documentavam construção de produto. O marco popular foi o blog de salários abertos da Buffer em 2013, seguido pelo artigo do fundador do Product Hunt em 2014.
- Por que Peter Levels é tão citado no movimento? Peter Levels popularizou a prática ao lançar 12 startups em 12 meses documentando tudo, entre 2014 e 2015, e ao manter métricas públicas de receita. Projetos como Nomad List e Remote OK nasceram dessa exposição contínua.
- Como encontro pessoas que constroem em público no Brasil? Abra os comentários de posts de referências como Peter Levels e navegue até perfis brasileiros. No vídeo, Daniel Lima cita Bruno Akamoto, Fernanda Kieper e a comunidade de indie hackers do Brasil como pontos de partida.
Transforme sua jornada em artigo escrito
O build in public existe porque conhecimento documentado atrai audiência, e o mesmo vale para o seu conteúdo em vídeo. Se você explica estratégias, ensina programação ou documenta uma jornada, como fazem os canais citados neste artigo, existe conhecimento valioso preso em vídeos que pouca gente vai assistir até o fim.
O Skala Blog resolve isso: você cola a URL de um vídeo do YouTube, a plataforma transcreve o conteúdo e gera um artigo estruturado, pronto para revisão e publicação. É a mesma lógica de documentar em público, aplicada ao formato que os buscadores conseguem encontrar.
Este material foi preparado com apoio do ecossistema do Gustavo Dev Doido, incluindo o Crazystack Typescript e o Bootcamp do Dev Doido, plataformas de formação para desenvolvedores. Para conhecer mais, visite Crazystack.
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