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Abacate Pay no Web Summit Rio 2025: o aprendizado

Bolsas e EmpreendedorismoZapierStripe

A maioria dos fundos que circulou pelo estande da Abacate Pay no Web Summit Rio 2025 não serviu para nada — e isso foi ótimo. Os founders explicam por que seleção natural também vale para networking, e como filtrar conversas virou a lição central do evento.

Abacate Pay no Web Summit Rio 2025: o que rolou de verdade

No Web Summit Rio de 2025, a Abacate Pay, API brasileira de recebimentos via Pix para desenvolvedores, saiu com a meta principal cumprida: novos clientes e conversas de adquirência. É o que contam os dois sócios em uma call gravada logo após o evento, em abril de 2025. O relato mistura cansaço físico, gratidão e uma lista concreta de próximos passos.

A experiência foi desigual por natureza. Alguns visitantes chegavam ao estande, liam "abacate" na placa e viravam a cara — às vezes rindo, às vezes com expressão de estranhamento. Outros chegavam abraçando os founders, dizendo que já conheciam o produto. Para os sócios, quem rejeitava o nome simplesmente não era o público-alvo, e a seleção natural operando sobre o público do produto era um bom sinal, não um problema.

O balanço financeiro da participação também já estava positivo antes do fim do evento. Entre clientes fechados, contatos comerciais e a pauta de melhorias técnicas que o contato direto revelou, os founders avaliam que a ida à feira se pagou com folga — e que serviu como divisor de águas para a fase seguinte da empresa.

Como o build in public gerou reconhecimento no estande

O build in public foi o motor do reconhecimento que a Abacate Pay recebeu no evento. Muita gente chegava ao estande dizendo que conheceu a empresa pelo YouTube, pelo LinkedIn ou pelo Twitter, onde os founders documentam a construção do produto abertamente. Esse fluxo inverteu a dinâmica usual de uma feira: em vez de apresentar a marca do zero, a dupla passou boa parte do tempo conversando com quem já era fã.

Um dos momentos mais marcantes veio de um visitante que contou, emocionado, que os vídeos dos founders o ajudaram a conseguir o primeiro estágio. Para a dupla, esse tipo de retorno justifica o esforço de produzir conteúdo enquanto se constrói a empresa — é para isso que as coisas valem a pena.

Curiosamente, o LinkedIn superou as expectativas. A persona principal da empresa vive mais no Twitter e no YouTube, mas o canal profissional trouxe um padrão inesperado e repetido: funders que chegavam ao estande dizendo "o meu dev da minha empresa falou para eu conhecer vocês". O contato com o desenvolvedor, que depois influencia o CEO e o C-level, provou ser um portal de entrada poderoso.

Esse é o mesmo espírito que movimenta comunidades como a do Gustavo Dev Doido, cujo Crazystack Typescript e o Bootcamp do Dev Doido formam desenvolvedores que também aprendem construindo em público e documentando o caminho.

O pitch do Web Summit Rio 2025: a tese dos próximos unicórnios

O pitch principal da Abacate Pay parte de uma tese direta: os próximos unicórnios serão indivíduos ou pequenos grupos. Todo o pitch deck e a apresentação no palco foram construídos a partir dessa premissa, com o produto como a infraestrutura de pagamentos que permite a esses grupos pequenos cobrar e escalar sem burocracia.

A preparação foi propositalmente iterativa. No primeiro dia de feira, quando a empresa ainda não apresentava, um dos founders rodou o evento inteiro apenas observando o que chamava atenção, deixando um template pronto no estande. Só na manhã do dia da apresentação ele fechou o pitch, incorporando tudo o que tinha aprendido observando as reações do público em tempo real.

Para você que vai apresentar em uma feira, a lição é prática: teste a mensagem no chão do evento antes de subir ao palco. O que as pessoas riem, o que elas fotografam e o que fazem elas pararem de andar vale mais que qualquer pesquisa de bancada.

Investidores no evento: conversas boas sem abrir rodada

Fundos passaram pelo estande e os founders anotaram os contatos, mas não abriram rodada. Um deles, de uma venture capital de São Francisco que se posicionou como concorrente da Y Combinator, se mostrou muito interessado e pegou o WhatsApp da dupla. Outro, de um fundo pequeno focado em very early stage, descreveu no evento um modelo de cheques entre 100 e 400 mil reais em troca de 3% a 8% de participação, com ajuda posterior em rodadas seguintes.

A resposta dos founders foi transparente: por agora, a prioridade é crescer organicamente e de forma bootstrapped. A empresa ainda não fez a estrutura societária que viabiliza investimento em dólar e transferências internacionais, processo que um dos sócios já mapeou mas que permanece na fila.

Em uma conversa com cerca de dez clientes em potencial que declararam transacionar milhões, os founders calcularam que fechar um único deles já justificaria o evento inteiro. É um dado declarado pelos próprios funders em conversas de corredor, não um número auditado — mas dá a dimensão do filtro que a feira proporciona em três dias.

Gringos, Stripe e a demanda internacional: os três passos mapeados

Um padrão chamou atenção dos founders: estrangeiros insatisfeitos com a Stripe ou com outros processadores procuravam a Abacate Pay para operacionalizar na América Latina. Existe nicho inteiro de empresas voltadas a isso, e o interesse veio de vários países ao longo dos dias de feira. Os sócios desenham três passos caso o analytics confirme que a demanda é real:

  1. Internacionalizar a documentação e criar uma seção em inglês, além de traduzir a plataforma.
  2. Viabilizar a operação para quem está fora do Brasil, exigindo um CNPJ local ou abrindo um CNPJ próprio para oferecer essa ponte.
  3. Cobrar uma taxa pela remessa internacional, modelo que segundo os founders é o caminho usual nesse mercado.

Também apareceu no evento um serviço que converte recebimento em pesos argentinos para saque via Pix, formato que os founders acharam cabuloso e que reforça a mesma tese: a região precisa de pontes de pagamento, e quem as constrói primeiro captura o fluxo.

IA, MCP e as melhorias técnicas que o evento revelou

O contato com usuários avançados expôs gargalos técnicos concretos. Em uma live, um dos founders usou a Abacate Pay com IA pela primeira vez — ele mesmo admite não ser de vibe coding — e o resultado foi bom em partes, mas tropeçou em dois pontos: o arquivo llms.txt do produto, que ajuda modelos de linguagem a entenderem a API, ainda é recente e precisa melhorar; e a integração via MCP, o protocolo aberto que conecta assistentes de IA a ferramentas externas, precisa evoluir para que agentes conversem melhor com a plataforma.

O caminho técnico já está desenhado pelos próprios founders: ampliar os webhooks disponíveis, adicionar novos eventos e refinar a documentação voltada a máquinas. Hoje a API só expõe recebimento, mas o produto já tem clique de pagamento internamente; falta liberar a API para isso. A ideia futura é que você rode um agente local via MCP, envie um comando para pagar um Pix a uma chave específica, a chamada bata na API e a transação aconteça.

Quem quiser aprofundar nesse formato de documentação legível por modelos pode consultar a especificação do llms.txt, citada diretamente na call como o padrão a melhorar. A API, segundo o relato, segue aguentando a carga de clientes que estão entrando.

Cripto e o efeito Zapier: o que mais mandou no Web Summit Rio 2025

A cena de cripto no evento surpreendeu pela maturidade. Havia bastante gente do setor, e os founders citam o exemplo de um cartão de crédito atrelado a stable coins que permite depositar cripto e pagar no débito sem taxa nenhuma, descrito pelo próprio portador do cartão como um "Wise do cripto" — comparação com o Wise, serviço de remessas internacionais. A dupla também conversa sobre dolarizar via USDT e pagar no débito como possibilidade pessoal.

Para a Abacate Pay, o caminho de aceitar stable coins como recebimento já está mapeado tecnicamente: bastaria desobrigar o cadastro de CPF ou CNPJ na criação do customer e usar o repasse de um parceiro. O gargalo, segundo os founders, é o prazo de repasse, ainda lento demais para competir com a experiência de pontes mais rápidas que cobram taxa por cima.

Fora do cripto, a observação mais certeira da dupla sobre o evento é que a ferramenta que mais domina o discurso é o Zapier, a plataforma de automação entre aplicativos. Se você não é um Zapier, precisa ter um caso de uso rondando agentes de IA — e há quem coloque IA em qualquer pitch, mesmo quando a ideia não pede, na avaliação bem-humorada dos founders.

FAQ

  • O que é a Abacate Pay? A Abacate Pay é uma API brasileira de recebimentos via Pix voltada para desenvolvedores e empresas que querem cobrar sem burocracia. No evento de 2025, os founders anunciaram que boleto está próximo, pagamento via API já existe internamente aguardando liberação, e cartão está mapeado como evolução natural.
  • Vale a pena expor estande no Web Summit Rio 2025? Segundo a experiência relatada pelos founders da Abacate Pay, sim: a meta principal de novos clientes foi atingida, o investimento se pagou antes do fim do evento e os contatos com fundos e parceiros agregaram valor. O custo invisível é o desgaste físico de três dias em pé.
  • Como o build in public ajuda uma startup em eventos? Documentar a construção do produto no YouTube, LinkedIn e Twitter criou reconhecimento prévio que transformou o estande em ponto de encontro de fãs e clientes. Também gerou o efeito do "meu dev indicou", em que o desenvolvedor influencia a decisão da empresa por onde trabalha.
  • A Abacate Pay aceita pagamento, ou só recebimento? Hoje a API pública expõe apenas recebimento, mas o clique de pagamento já existe internamente e a liberação é questão de prioridade. Via MCP, o plano é permitir que um agente de IA envie um Pix a uma chave específica por comando direto.

Transforme sua própria call em artigo

A call sincera desses dois founders mostra como uma conversa crua, gravada depois de um evento cansativo, carrega mais aprendizado prático do que qualquer post editado — pitch testado no corredor, clientela chegando pelo build in public e uma fila clara de melhorias técnicas. Se você também tem conhecimento,valores e bastidores guardados em vídeos, vale transformar isso em texto que o resto do mundo consegue encontrar.

O fluxo é direto: você cola a URL do vídeo do YouTube no Skala Blog, a plataforma transcreve o conteúdo e gera um artigo estruturado e pronto para revisar. O que você já falou vira material pesquisável, sem precisar escrever do zero depois de um dia exausto.

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