A história do Fofão começa em 7 de março de 1983, quando Orival Pessini estreou o alienígena de bochechas de cachorro no Balão Mágico, da Globo. O personagem vendeu discos, virou boneco campeão de vendas, protagonizou uma lenda urbana sobre um punhal escondido e seguiu na TV por décadas. Este artigo reúne as datas, os bastidores e o desenrolar dessa trajetória.
Quem criou o Fofão?
Orival Pessini, ator e criador de personagens nascido em Pompeia, no interior de São Paulo, em 26 de agosto de 1944, é o responsável pelo Fofão. Ele começou no teatro amador ainda criança e fez pontas em teleteatros da TV Tupi enquanto estudava. Em 1963, estreou o programa infantil semanal "Quem Conta um Conto", na mesma emissora.
A técnica de criar máscaras de látex com movimento, desenvolvida por ele mesmo, dispensava maquiagem pesada e permitia expressões marcantes em cada personagem. Inspirado por Chico Anísio, Pessini esculpia cada rosto em argila antes de moldar a máscara definitiva.
O reconhecimento nacional veio em 1976, na Globo, quando ele interpretou os macacos Sócrates e Charles no humorístico Planeta dos Homens. Nesse período também nasceu o Patropi, um eterno estudante de faculdade cujo nome faz referência à música "País Tropical", de Jorge Ben.
Como o Fofão nasceu no Balão Mágico?
O Fofão estreou no programa Balão Mágico em 7 de março de 1983. O diretor Newton Travesso, a pedido da Globo, convidou Orival Pessini para criar um personagem infantil totalmente novo, numa aposta da emissora para competir com atrações do SBT e da TV Cultura.
A inspiração veio do cinema: assistindo ao filme "E.T., o Extraterrestre", Pessini decidiu fazer seu próprio alienígena, mas sem repetir o modelo clássico. Ele misturou bochechas caídas de cachorro, focinho enrugado de porco, pelos de urso e um macacão largo colorido, referência direta ao universo circense. O personagem, um extraterrestre vindo do planeta Fofolândia, nem falava no início: emitia sons que a pequena Simoni traduzia para o público.
O carisma foi imediato. O programa virou fenômeno de audiência, e a Turma do Balão Mágico vendeu 13 milhões de discos, segundo o vídeo do Canal 90. Em 1984, o personagem lançou seu primeiro LP solo pelas gravadoras RGE e Som Livre.
O auge: TV Fofão, discos e produtos licenciados
Com o fim do Balão Mágico em 1986, o personagem migrou para a Rede Bandeirantes e ganhou programa diário, o TV Fofão. A atração misturava quadros de humor, sorteios e desenhos da Hanna-Barbera, e registrou um dos maiores índices de audiência da emissora entre 1986 e 1988, segundo o vídeo do Canal 90.
Orival Pessini abriu a empresa Fofão Produtos e Merchandise Limitada e licenciou uma gama variada de itens. O lanche do Fofão, pela Dizioli, bombons, ovos de Páscoa, balas com figurinhas e brinquedos como o Jet Ball chegaram às prateleiras ao longo da década.
O quadro abaixo resume os principais marcos dessa trajetória:
| Ano | Marco |
|---|---|
| 1983 | Estreia no Balão Mágico, na Globo, em 7 de março |
| 1984 | Primeiro LP solo, pelas gravadoras RGE e Som Livre |
| 1985 | Lançamento do boneco que viraria alvo da lenda urbana |
| 1986 | Início do TV Fofão na Rede Bandeirantes |
| 1987 | Filme em VHS e quadrinhos pela editora Abril |
| 2023 | O personagem ganha desenho animado |
O boneco tinha mesmo uma faca escondida?
Não. O boato de que o boneco do Fofão vinha com um punhal ou faca escondida dentro do corpo, supostamente para rituais, se espalhou por escolas e ruas no auge do brinquedo. O próprio Orival Pessini deu entrevista desmentindo a história.
A explicação é simples: o boneco grande tinha corpo de pano e cabeça pesada de vinil. Para a cabeça não tombar, havia uma estaca de plástico dentro do brinquedo, fazendo o papel de suporte. Alguém transformou essa haste em punhal, e o pânico entre pais e crianças cresceu a ponto de exigir um desmentido público.
Curiosamente, o boato não derrubou as vendas. A molecada continuou pedindo o boneco nas cartas para o Papai Noel, e o personagem seguiu forte no imaginário infantojuvenil.
O que aconteceu com o Fofão depois dos anos 1980?
O personagem voltou à TV nos anos 1990 com o TV Fofão na Band, no ar entre 1994 e 1997, e ainda teve programa exibido na CNT Gazeta. Orival Pessini seguiu trabalhando em outras atrações, como a Praça é Nossa e a Escolinha do Professor Raimundo.
Nos anos seguintes, o Fofão celebrava marcos constantes: em 2013, shows pelos 30 anos do personagem, ao lado de nomes como Kiko, do Chaves, e Ivete Sangalo; em 2014, desfile no Carnaval de São Paulo pela Rosas de Ouro; em 2015, o DVD "Fofão Forever" e uma participação nos dois filmes de Carrossel, no papel de Sócrates Campos.
Orival Pessini morreu em 14 de outubro de 2016, aos 72 anos, vítima de câncer. Antes disso, em meados de 2016, o fenômeno da Carreta Furacão, grupo de rua liderado por um Fofão, dominou a internet brasileira; hoje o grupo detém os direitos exclusivos do personagem, segundo o vídeo do Canal 90. Em 2023, o Fofão ganhou desenho animado, e a Nova Brink relançou os bonecos, nas versões clássica de 38 cm e mini de 19 cm.
Perguntas frequentes sobre a história do Fofão
- Quem criou o personagem Fofão? Orival Pessini, ator e criador de personagens nascido em Pompeia (SP) em 1944. Ele também criou o Patropi e interpretou os macacos Sócrates e Charles no Planeta dos Homens.
- Quando o Fofão estreou na TV? A estreia aconteceu em 7 de março de 1983, dentro do programa Balão Mágico, da Globo. O convite partiu do diretor Newton Travesso.
- O boneco do Fofão tinha uma faca dentro? Não. Dentro do boneco havia apenas uma estaca de plástico para sustentar a cabeça pesada de vinil. O próprio Orival Pessini desmentiu o boato em entrevista.
- Quantos discos a Turma do Balão Mágico vendeu? Segundo o vídeo do Canal 90, foram 13 milhões de discos vendidos, com hits como "Super Fantástico" e "Ursinho Pimpão".
- Quem controla o Fofão hoje? Segundo o Canal 90, a Carreta Furacão detém atualmente os direitos exclusivos do personagem, e em 2023 o Fofão virou desenho animado.
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