# 5 capítulos da história do refrigerante Dolly

> Published 2026-10-01T21:15:11.110Z on https://www.crazystack.com.br/pt/p/5-capitulos-da-historia-do-refrigerante-dolly/
> Source video: https://www.youtube.com/watch?v=tYYZRW4S6FA

A história do refrigerante Dolly começou em 1987, quando Laerte Codonho lançou o primeiro refrigerante diet do Brasil após derrubar uma lei de 1973 na justiça. A marca chegou a 10% do mercado nacional e, em 2026, virou alvo de um pedido de falência de R$ 15 bilhões movido por União e estado de São Paulo.

## Como a Dolly nasceu e virou pioneira dos refrigerantes diet

A Dolly nasceu em 1987, em São Paulo, criada pelo economista Laerte Codonho para competir com as gigantes do setor aposta em preço baixo e em um produto que ninguém podia fabricar: o refrigerante diet. Em 1988, uma decisão judicial liberou as vendas e a marca se tornou pioneira no país.

A empresa foi fundada por Laerte Codonho, então com 26 anos, formado em economia e técnico agrícola. O nome Dolly era uma homenagem ao cachorrinho da família. O mercado era dominado pela Coca-Cola, pelo Guaraná Antártica e pela Pepsi, e havia ainda a via paralela das tubaínas, os refrigerantes regionais mais doces e baratos. Segundo o vídeo do Canal 90 que reconstitui essa trajetória, a Dolly nasceu com um desafio duplo: competir com gigantes e enfrentar o próprio governo.

Naquela época, uma lei de 1973 proibia a fabricação de refrigerantes com adoçantes sintéticos no Brasil. Codonho percebeu que não existia refrigerante diet no país, criou a fórmula do Diet Dolly de guaraná e limão e foi à justiça contra o governo federal. Em 1988, o poder judiciário liberou a comercialização, e a Dolly se tornou a primeira empresa brasileira a lançar um refrigerante dietético no país, em garrafas de vidro, nos sabores guaraná e limão.

## Como o Dolly Guaraná e o Dolinho criaram um fenômeno popular

O Dolly Guaraná tradicional, lançado em 1996, virou o carro-chefe da empresa e, junto com o mascote Dolinho e os jingles caseiros, transformou a Dolly em um fenômeno popular. Em 2015, a marca atingiu 10% do mercado nacional de refrigerantes e 30% na Grande São Paulo.

O primeiro grande salto veio em 1994, com a inauguração da fábrica de Diadema, em São Paulo. Dois anos depois, em 1996, a empresa lançou o Dolly Guaraná com açúcar. De cada 10 garrafas de 2 litros vendidas, cinco eram do guaraná, segundo o relato do vídeo. A empresa crescia rápido, principalmente no Nordeste, e as gigantes do mercado chegaram a baixar as próprias tabelas de preço para não perder clientela.

No início dos anos 2000, Codonho desenhou ele mesmo o mascote Dolinho, inspirado no visual infantil dos Teletubbies que ele via com a filha Lorena. Uma garrafa com braços, pernas, sorriso gigante e olhos arregalados. Ele chegou a pensar em criar uma família inteira para o personagem, mas desistiu e manteve apenas o "amiguinho das crianças". Os jingles eram compostos em churrascos de família e cantados pelas irmãs do fundador, Sibell e Solange, o que mantinha os custos de publicidade baixíssimos.

A estratégia de guerrilha funcionou. A Dolly patrocinou programas no SBT e na Rede TV!, do Pânico na TV aos programas de João Cléber, e a popularização da internet transformou os comerciais em memes, o que beneficiou a marca de graça. No comercial clássico de Páscoa, duas das crianças vestidas de coelhinho eram os próprios filhos de Codonho, Lorena e Bernardo. A linha também se expandiu com novos sabores, como a linha citrus. Em 2015, a Dolly chegou a 10% do mercado nacional e a 30% na Grande São Paulo, com cinco fábricas em três turnos e mais de 2.000 funcionários. Esses números vêm do vídeo do Canal 90, não de um levantamento independente de mercado.

O marketing também rendeu problemas. Em 2008, o Instituto Alana processou a Dolly por publicidade infantil abusiva, alegando que o Dolinho era usado para vender refrigerante cheio de açúcar às crianças. A empresa foi condenada em 2011 a pagar R$ 1 milhão e proibida de fazer comerciais para o público infantil, mas reverteu a decisão em 2013.

## A guerra contra a Coca-Cola em 2003

Em 2003, a Dolly travou na TV uma das brigas corporativas mais barulhentas do país, acusando a Coca-Cola de concorrência desleal, espionagem industrial e de espalhar um e-mail falso sobre câncer. Na justiça, a Dolly perdeu e pagou R$ 1 milhão de indenização em 2012. Na opinião pública, saiu como a perseguida.

Codonho foi à rede nacional acusar a Coca-Cola de ameaçar fornecedores, sonegar impostos e de espalhar panfletos em pontos de ônibus, postos de saúde, Santa Casa, escolas e academias dizendo que o refrigerante Dolly causava câncer. Ele exibiu gravações secretas de conversas com Luís Eduardo Capistrano do Amaral, ex-diretor da Spal, então a maior engarrafadora da Coca-Cola no Brasil, nas quais o ex-diretor admitia espionar concorrentes, anotando rotas de caminhões e pesquisando transportadores. A Rede TV! explorou o caso por vários dias no programa 100% Brasil, patrocinado pela própria Dolly.

A Dolly espalhou outdoors em São Paulo com a frase "brasileiro não tem medo de estrangeiro", transformou o slogan em jingle e publicou uma carta aberta de meia página no The Wall Street Journal, nos Estados Unidos, cobrando o presidente mundial da multinacional. A Coca negou tudo e sustentou a versão contrária: que Codonho teria armado o encontro oferecendo emprego ao ex-diretor apenas para gravá-lo, e que a Dolly tentaria extorquir 100 milhões de dólares da multinacional.

A justiça paulista condenou a Dolly, Codonho e a Rede TV! a pagar R$ 1 milhão de indenização à Coca-Cola em 2012, e o caso no CADE foi arquivado em 2013. Publicamente, porém, a Dolly saiu da briga com a imagem de Davi contra Golias, o que reforçou a identidade nacionalista da marca.

## A Operação Clone e a prisão de Laerte Codonho

A Operação Clone, deflagrada em 2017 pela Secretaria da Fazenda de São Paulo, apontou um rombo de ICMS de cerca de R$ 2 bilhões, interditou fábricas e levou à prisão de Laerte Codonho em maio de 2018. O Ministério Público estima um desvio total de mais de R$ 4 bilhões em 20 anos.

A operação interditou as fábricas de Tatuí e Diadema e apreendeu documentos e equipamentos. A inscrição da empresa foi bloqueada, o que impedia a emissão de notas e, com isso, a venda de produtos. A Dolly respondeu acusando o escritório de contabilidade de desviar aproximadamente R$ 100 milhões destinados a impostos, com guias de recolhimento falsificadas.

Em maio de 2018, às seis da manhã, o Ministério Público e a Polícia Militar bateram na mansão de Codonho na Granja Viana, em Cotia, e ele foi preso de pijama. A polícia apreendeu entre R$ 300.000 e R$ 350.000 em espécie, parte escondida em paredes falsas, 13 carros de luxo, incluindo uma Ferrari, e três helicópteros. Segundo o MP, o grupo emitia notas frias com empresas de fachada e superfaturava insumos para gerar créditos falsos. Na delegacia, Codonho posou com um papel escrito "preso pela Coca-Cola" e afirmava que tudo era armação da concorrente, mas o MP negou qualquer ligação da investigação com a Coca. Também foram presos o ex-contador e o ex-gerente financeiro da empresa.

Ele passou oito dias preso e foi solto para responder em liberdade, com apresentação mensal à justiça. As contas bloqueadas, porém, já haviam forçado o fechamento da fábrica de Tatuí e a demissão de 700 funcionários de uma só vez, alguns com meses de salário atrasado. Em junho de 2018, o grupo pediu recuperação judicial. Um mês depois, a justiça reconheceu erros na investigação, mandou desbloquear os bens da empresa e retirou do processo uma offshore atribuída ao fundador. A Dolly ainda lançou um comercial com Codonho ao lado do Dolinho: "por Deus e pelas pessoas do bem, a Dolly ainda existe".

## Quais processos a Dolly venceu ou reverteu na justiça

A Dolly não perdeu todas as batalhas judiciais. Em pelo menos três momentos, decisões da justiça revertaram ou corrigiram acusações contra a empresa e contra o fundador, o que sustenta a tese de defesa de que parte das cobranças era indevida.

| Ano | Decisão | Resultado |
| --- | --- | --- |
| 2013 | Recurso da condenação por publicidade infantil | Multa de R$ 1 milhão revertida |
| 2018 | Revisão da Operação Clone | Bens da empresa desbloqueados |
| 2020 | Revisão de processo tributário | Dolly reconhecida como credora em mais de R$ 300 milhões |

Em 2020, a justiça admitiu erro em outro processo contra Codonho sobre impostos e alterou os valores da multa aplicada. Segundo a decisão, a empresa era, na verdade, credora de mais de R$ 300 milhões, e o que devia em tributos era bem menos do que divulgado no início das investigações.

## Do desmatamento ao pedido de falência em 2026

Em 1º de julho de 2026, União e estado de São Paulo entraram juntos com um pedido de falência contra o grupo Dolly na Segunda Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A dívida acumulada em 25 anos chega a R$ 15 bilhões, divididos entre União, estado e funcionários.

Antes disso, em março de 2025, Codonho foi condenado a quase 16 anos de prisão por corrupção ativa, falsificação de documento e crime ambiental, num caso de desmatamento de área de preservação em São Lourenço da Serra em 2016, no qual a denúncia aponta ainda pagamento de propina a policiais e servidores. Ele nega as acusações, alega que falsificaram sua assinatura, pediu exame grafotécnico e recorre em liberdade. Ele observa, inclusive, que na mesma comarca um juízo civil pedia a conclusão da obra enquanto o criminal o condenava por ela.

Em maio de 2026, a Dolly desistiu da recuperação judicial, que já se arrastava por oito anos, após fracassar um acordo extrajudicial. A composição da dívida mostra o tamanho do rombo:

| Credor | Valor |
| --- | --- |
| União | R$ 8 bilhões |
| Estado de São Paulo | R$ 7 bilhões |
| FGTS não recolhido | R$ 15 milhões |

As procuradorias acusam a empresa de usar a recuperação judicial para ganhar tempo sem regularizar os débitos e de blindagem patrimonial com empresas de fachada, o que daria vantagem desleal sobre concorrentes. A Dolly respondeu que tudo é perseguição e prometeu recorrer.

## A Dolly ainda existe hoje?

Sim, tecnicamente. Até outubro de 2026, a Dolly não decretou falência: o pedido da União e do estado de São Paulo está tramitando na justiça, e os refrigerantes continuam sendo fabricados e vendidos. Enquanto o processo corre, porém, a empresa opera em situação crítica, sem faturamento suficiente para honrar uma dívida que passou de R$ 15 bilhões.

O desfecho ainda é incerto. A Dolly afirma que recorrerá, e a trajetória recente mostra decisões judiciais em ambos os sentidos, do desbloqueio dos bens em 2018 à condenação de 2025. O que a própria história da marca ensina é que o desfecho dificilmente será simples.

## Perguntas frequentes sobre a Dolly

## Quem fundou a Dolly e quando?

Laerte Codonho, economista paulistano então com 26 anos, fundou a empresa em 1987 em São Paulo. O nome era uma homenagem ao cachorrinho da família, e a meta inicial era competir com Coca-Cola, Guaraná Antártica e Pepsi.

## Qual foi a grande inovação da Dolly?

A Dolly lançou, em 1988, o primeiro refrigerante diet do Brasil, após derrubar na justiça uma lei de 1973 que proibia adoçantes sintéticos em refrigerantes fabricados no país. Os primeiros sabores foram guaraná e limão, vendidos em garrafas de vidro.

## Como nasceu o Dolinho?

No início dos anos 2000, Codonho desenhou o mascote ele mesmo, inspirado no visual dos Teletubbies que assistia com a filha Lorena. Agências de publicidade cobravam caro, então o personagem saiu da própria família: até os jingles eram compostos em churrascos e cantados pelas irmãs do fundador.

## A Dolly venceu a briga com a Coca-Cola?

Não na justiça. Em 2012, a empresa, o fundador e a Rede TV! foram condenados a pagar R$ 1 milhão de indenização à Coca-Cola por difamação, e o caso no CADE foi arquivado em 2013. Na opinião pública, porém, a Dolly saiu com imagem de perseguida.

## Por que Laerte Codonho foi preso em 2018?

Ele foi preso em casa, na Granja Viana, em maio de 2018, acusado de fraude fiscal estruturada, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O MP estima desvios de mais de R$ 4 bilhões em 20 anos, com notas frias e empresas de fachada. Ele ficou oito dias preso e respondeu em liberdade.

## A Dolly venceu algum processo?

Sim. A condenação por publicidade infantil foi revertida em 2013, os bens foram desbloqueados pela justiça em 2018 e, em 2020, a empresa foi reconhecida como credora de mais de R$ 300 milhões em um processo tributário. Essas decisões sustentam a tese de perseguição defendida pela marca.

## Por que a Dolly está falindo?

União e estado de São Paulo protocolaram, em 1º de julho de 2026, um pedido de falência para cobrar cerca de R$ 15 bilhões em dívidas acumuladas em 25 anos: R$ 8 bilhões para a União, R$ 7 bilhões para o estado e R$ 15 milhões de FGTS. A desistência da recuperação judicial em maio de 2026 acelerou o golpe.

## A Dolly ainda existe hoje?

Sim, até outubro de 2026. O pedido de falência tramita na Segunda Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, sem decisão final, e os refrigerantes seguem sendo fabricados e vendidos, mas a empresa opera no limite.

## Onde assistir ao vídeo original sobre a história da Dolly?

A reportagem completa, com imagens de arquivo, trechos das gravações secretas e os comerciais clássicos, está no vídeo "O que ACONTECEU com o DOLLY? O Refrigerante mais POLÊMICO do Brasil!", do [Canal 90 no YouTube](https://www.youtube.com/watch?v=tYYZRW4S6FA).

## Do vídeo sobre a Dolly para o artigo que você acabou de ler

Toda a cronologia aqui, da lei de 1973 ao pedido de falência de 2026, veio de um único vídeo do YouTube bem pesquisado. Conteúdo assim costuma ficar preso no formato de áudio e vídeo, difícil de citar, buscar e reler. Se você tem entrevistas, aulas, análises ou opiniões gravadas, dá para transformar esse material em texto sem reescrever tudo do zero: com o [Skala Blog](https://skalablog.com), você cola o link do vídeo, gera a transcrição e edita um artigo pronto para publicar.

Este artigo segue o mesmo método usado nos projetos do Gustavo Dev Doido, criador do [Crazystack Typescript](https://crazystack.com.br) e do Bootcamp do Dev Doido, que transforma horas de conteúdo falado em material escrito e organizado.

[Source video](https://www.youtube.com/watch?v=tYYZRW4S6FA)
