# 3 lições do Abacate Pay para crescer sem anúncios

> Published 2026-09-27T01:17:20.834Z on https://www.crazystack.com.br/pt/p/3-licoes-do-abacate-pay-para-crescer-sem-anuncios/
> Source video: https://www.youtube.com/watch?v=vfx3_XEmj68

O Abacate Pay é uma fintech brasileira de pagamentos que cresceu sem investir nada em tráfego pago, usando comunidade e conteúdo como principais canais de aquisição. Em 2025, os founders Daniel Lima e Cris largaram empregos nos Estados Unidos para dedicar-se ao projeto, que hoje atende quem vende online no Brasil.

## O que é o Abacate Pay

O [Abacate Pay](https://abacatepay.com) é uma fintech brasileira de pagamentos criada em 2025 por Daniel Lima e o sócio Cris, ambos programadores que trabalhavam remotamente para empresas dos Estados Unidos. A plataforma permite que quem vende online no Brasil receba em Pix e cartão, com foco original em desenvolvedores que constroem SaaS. Segundo Lima no podcast A Próxima Onda, em abril de 2026 a empresa já tinha cerca de 20 mil CNPJs cadastrados.

A origem tem uma cicatriz: o primeiro produto do time, o Alerta Pix, recebia doações para streamers com vozes geradas por IA. Um bloqueio do gateway da época deixou cerca de R$ 100 mil travados, dinheiro que não era da empresa, mas dos clientes. Essa dor virou a tese do negócio seguinte, voltado a quem precisa de suporte de verdade.

## Por que começar só com Pix funcionou

Começar sem cartão pareceu suicídio, mas foi a escolha certa. Em 2025, habilitar Pix em plataformas como [Stripe](https://stripe.com) ou [Pagar.me](https://pagar.me) podia levar meses, segundo o relato de Lima, e exigia dias de leitura de documentação. Para quem só queria testar uma ideia, sete minutos até a primeira transação valiam mais que um leque completo de meios de pagamento.

Sem recorrência nativa de Pix, o time contornou com um motor próprio que cobrava por WhatsApp e e-mail. A comunidade completou o resto: grande parte da plataforma é open source, e os próprios usuários construíram SDKs e integrações. Com o tempo, o produto agregou cartão, parcelamento, antecipação, recorrência automática e plugin de notas fiscais, sempre puxando pela pergunta 'o que o cliente vai precisar em seguida?'.

## Como a aquisição acontece sem tráfego pago

A tese central do episódio é que comunidade substitui anúncio quando seu cliente é quem constrói. Lima divulga uma ferramenta e outras pessoas recomendam, testam e comentam. Ele estima ser ainda a principal fonte de aquisição da empresa, embora a comunidade já leve a marca para públicos que ele sozinho não alcançaria.

A estrutura tem camadas, cada uma com um papel distinto:

- **Discord de build in public:** 12 mil pessoas ligadas a SaaS, divulgada publicamente apenas uma vez; hoje a própria comunidade se sustenta.
- **Grupos de WhatsApp de founders:** mais restritos, com entrada por formulário e sem cobrança, para networking de quem já constrói de fato.
- **Encontros presenciais:** um encontro em São Paulo organizado via Luma lotou 466 pessoas em um dia, exigindo fechamento das inscrições.
- **Canal no YouTube:** documenta a jornada do founder e funciona como vitrine, não como anúncio direto.

O efeito colateral é comercial por acidente: quando alguém fecha negócio dentro da comunidade, mesmo sem envolver pagamentos, lembra de quem facilitou. Para um mercado fechado em que todo mundo conversa, esse 'top of mind' vale mais que clique pago.

## O que é build in public e quando ele não serve

Build in public é documentar publicamente a construção de um produto junto com a audiência que o usa. Para Lima, o termo se reduz a isso: construir com o seu público, pedir feedback e mostrar que você implementou o que foi pedido. É isso que transforma espectador em cliente.

Ele próprio limita o alcance da tese. Build in public tradicional é feito para outros devs, geralmente no Twitter, e só funciona se seu comprador for esse público. Um aplicativo de gestão de academia precisa de conteúdo para a galera da maromba, não de código no YouTube; uma máquina de ultrassom hospitalar seguirá caminho acadêmico e comercial, não posts no Instagram.

- **Identifique onde seu nicho vive** antes de escolher a rede; o YouTube costuma concentrar quase todos os nichos.
- **Documente o discovery, não só o código:** visitar academias e entrevistar donos gera conteúdo em qualquer mercado.
- **Aceite a exposição:** o lado sombrio é levar hate e ter a vida pessoal invadida, até confundirem o Instagram da mãe com o suporte.

A empresa adotou essa abertura também no produto, com um roadmap público onde qualquer pessoa sugere feature ou reporta bug desde a primeira semana. Segundo Lima, as melhores ideias da plataforma não são dos fundadores.

## A virada: captação, Vercel e ambição maior

Até outubro de 2025, a empresa era bootstrapped e lucrativa com apenas duas pessoas. Nesse ano, o time captou um pre-seed em que mantém cerca de 97% da empresa, segundo o relato de Lima, e passou a operar em nova fase. O gatilho foi uma viagem a São Francisco, onde ele conheceu fundos, apresentou o produto ao CEO da [Vercel](https://vercel.com), Guilhermo, e voltou com a mentalidade de que era possível construir algo muito maior.

A mudança estratégica veio junto. De fim de 2025 para o segundo trimestre de 2026, o ICP migrou de dev iniciante para empresas que transacionam mais forte, incluindo infoprodutores, escolas imobiliárias e negócios só online. A empresa também passou a atuar como orquestradora: em vez de virar um novo banco, integra provedores como Pagar.me, Stripe e [Asaas](https://www.asaas.com), permitindo failover de conta em caso de bloqueio. O time continua enxuto, com sete pessoas, apoiado por uso intenso de IA — e por ferramentas como [Claude](https://claude.com) no dia a dia de pesquisa e processos internos.

## Finanças de founder: reinvestir tudo ou se proteger?

Lima chegou a ganhar R$ 40 mil por mês como programador aos 20 anos, morando no interior de São Paulo. Hoje tira da empresa apenas o básico, dorme no escritório quando preciso e reinveste tudo o que recebe, de inscrições de ferramentas a infraestrutura. Ele próprio avisa: não é receita, é escolha pessoal para este momento de vida.

O apresentador Bruno contrapõe um risco clássico: founders com empresa bilionária e pessoa física sem reserva. A saída discutida é a secundária, em que o fundador vende parte das ações durante uma rodada para garantir liquidez, quando a estrutura da rodada permite. Sobre pressão de venture capital, Lima diz não ter recebido exigência de 'IPO ou morte'; a empresa voltou a ser lucrativa após a rodada.

O consenso prático do episódio: existem tantas formas de tocar uma empresa quanto fundos e founders. Quem quer crescer rápido em fintech aceita um jogo de cinco a dez anos intenso; quem quer bem-estar pode escolher nichos mais lentos e preservar finanças pessoais.

## Suporte humano como diferencial competitivo

Enquanto a maior parte das fintechs automatiza atendimento para cortar custo, o Abacate Pay usa IA apenas para triagem. Dúvida técnica e assunto sensível vão para pessoa humana, porque toda experiência que piora o contato do usuário ataca o posicionamento da marca.

A maior lição operacional veio de um incidente: comunicação importa mais que o próprio downtime. Hoje qualquer mudança relevante na plataforma é comunicada à base por WhatsApp, e-mail e outros canais, porque clientes investem em anúncios contando com a plataforma no ar. Em fintech, cada minuto fora significa venda perdida direto na conta do cliente.

## FAQ

- **O Abacate Pay aceita cartão de crédito?** Sim. A empresa começou em 2025 oferecendo apenas Pix e depois agregou cartão, parcelamento, antecipação, recorrência automática e emissão de notas fiscais, conforme contado pelo fundador no episódio de abril de 2026.

- **O Abacate Pay gastou dinheiro em anúncios?** Segundo o fundador, nunca. A aquisição vem de comunidades próprias no Discord e no WhatsApp, do canal no YouTube e de eventos presenciais para founders.

- **O que é build in public na prática?** É documentar publicamente a construção de um produto junto com quem vai usá-lo, pedir feedback e mostrar o que foi implementado. Funciona melhor quando seu cliente é do mesmo público que consome o conteúdo.

- **O Abacate Pay é um gateway ou um orquestrador?** Evoluiu de gateway focado em Pix para orquestrador de pagamentos, integrando provedores como Stripe, Pagar.me e Asaas por meio de parcerias, o que permite transferir transações entre contas em caso de bloqueio.

- **A empresa segue bootstrapped?** Não. Os founders deixaram o bootstrap em 2025 ao captar um pre-seed que, segundo o relato de Daniel Lima, deixou cerca de 97% da empresa com o time.

[Source video](https://www.youtube.com/watch?v=vfx3_XEmj68)
