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Artigo publicado

3 lições de currículo dev júnior analisados

Engenharia de SoftwareNext.js

Um currículo dev júnior forte cabe em uma página, traz bullet points objetivos com tecnologias e resultados, e mostra evidência de cada habilidade citada. A análise de três currículos reais contra uma vaga real de 2026 revela que a maioria erra no básico: página demais, texto vago e tecnologias listadas sem projeto, curso ou experiência que as comprovem.

O que define um bom currículo dev júnior

Um currículo dev júnior competitivo cabe em uma página, passa no Ctrl+F do recrutador, mostra tecnologias com evidência e descreve entregas com resultado. Esses quatro critérios vieram da análise de três currículos reais aplicados a uma vaga verdadeira de desenvolvedor júnior em São Paulo, anonimizada e comentada pelo canal do Augusto Galego em julho de 2026.

O formato importa menos do que parece e mais do que muita gente ignora. Fonte simples, preto e branco, texto selecionável, PDF. O recrutador de tecnologia lê rápido; o sistema de triagem lê antes dele. Qualquer coisa que atrapalhe esses dois leitores trava sua candidatura na primeira etapa.

Antes de entrar nos detalhes, vale o resumo em uma tabela dos três currículos analisados:

A vaga real usada como régua da análise

A vaga escolhida existe de verdade e foi apenas anonimizada. É uma posição júnior em São Paulo, com aplicações web, sistemas distribuídos e ambiente ágil. O stack listado inclui Node, TypeScript, Java, React, AWS, testes automatizados, CI/CD com Jenkins e GitLab, infraestrutura como código com Terraform e bancos SQL e NoSQL.

Dois requisitos chamam atenção: formação em tecnologia ou experiência equivalente, e inglês intermediário ou avançado. O inglês faz sentido porque a empresa é americana com sede também no Brasil. E aqui vai o segredo que o vídeo revela: muita gente passa sem preencher todos os requisitos ditos obrigatórios. Um Node com TypeScript, um conhecimento básico de AWS e um SQL razoável já tornam a candidatura plausível.

Você não precisa ter tudo. Precisa ter o suficiente para a triagem te encontrar, e é aí que a estrutura do currículo entra.

Estrutura: uma página e um header completo

Os dois primeiros currículos analisados tinham o mesmo defeito: duas páginas para pouco tempo de experiência. A recomendação direta do vídeo é condensar em uma página, reduzir espaçamento em branco e cortar pontos pouco relevantes. Menos experiência pede mais concisão, não o contrário.

O header, a parte de cima do documento, deve conter no mínimo e-mail, LinkedIn, telefone e GitHub, mesmo que o repositório esteja vazio. Dependendo da vaga, vale incluir endereço, fuso horário ou portfólio. Foto nunca. Resumo profissional é escolha pessoal, e o avaliador do vídeo diz preferir não ter; se você escrever um, corte a enrolação do tipo "profissional que gosta de novos desafios" e liste cargo, anos de experiência, tecnologias e o que você faz.

Um detalhe prático que quase ninguém testa: abra seu PDF, dê Ctrl+F e procure as palavras-chave da vaga. No primeiro currículo, TypeScript apareceu citado três ou quatro vezes, o que o deixou adequado. Java apareceu uma vez. Se a busca não encontra, o ATS — o sistema automático de triagem de currículos — também não encontra.

Bullet points objetivos: método STAR e XYZ

Experiência profissional com muitos bullet points é positivo. Bullet points vagos, não. "Liderei o desenvolvimento de novas funcionalidades em projetos estratégicos" não diz qual projeto, qual tecnologia, qual liderança e qual resultado. O avaliador recomenda métodos como o XYZ do Google e o STAR para transformar essas frases em entregas concretas.

Um exemplo bom apareceu no próprio primeiro currículo: "Tomei à frente da migração do projeto principal de React JavaScript para TypeScript". A frase conversa com a vaga, mostra entrega real e não precisa nem de número para demonstrar valor. Em outra empresa, o candidato registrou "redução de até 20% no tempo estimado", segundo o vídeo — número trazido pelo próprio autor do currículo, e é esse tipo de dado que você deve trazer.

Uma listinha de tecnologias usadas embaixo de cada experiência também ajuda. O avaliador consegue ver que a pessoa usou Python e Fast API, mas não sabe qual banco de dados, se era microsserviço, se rodava em AWS. Você resolve isso com uma linha de stack por experiência.

Habilidade citada sem evidência derruba credibilidade

O erro mais interessante dos três casos: Java listado nas habilidades técnicas, mas ausente de toda experiência, projeto e curso do currículo. A pergunta que o avaliador faria na entrevista é direta: "onde você usou Java?". Se a resposta existe, ela precisa aparecer no documento, na seção de educação, em cursos com certificado ou em projetos.

Nos três currículos, Terraform simplesmente não apareceu. Para aquela vaga específica, um projeto pessoal que juntasse Java, Terraform e AWS transformaria qualquer um deles em candidato muito forte. Certificação ajuda, mas pesa menos do que mostrar uso real da tecnologia.

A regra geral vale para qualquer stack: toda habilidade listada precisa ter um endereço no currículo. Java num projeto da faculdade, um curso da Udemy com certificado, uma experiência profissional. Habilidade sem evidência vira questionamento na entrevista.

Projetos pessoais e empresa júnior abrem portas

O segundo currículo tinha o problema típico de quem está começando: parede de texto, frases como "experiência prática em ambiente dinâmico colaborativo orientado por propósitos" e habilidades fora de ordem. Mas trazia algo que pesa muito: três projetos pessoais com link, objetivo, ferramentas e data, incluindo o projeto final do CS50, o curso aberto de Harvard disponível gratuitamente online.

A mesma pessoa construiu trajetória dentro da faculdade: empresa júnior de março a outubro com dois cargos, depois estágio, depois outro estágio. Em dois anos, acumulou experiência suficiente para sair da graduação sem dificuldade de emprego. Para quem está no início, esse caminho — empresa júnior, estágio, projetos com link no GitHub — funciona como pé na porta.

Projeto voluntário com atuação técnica também conta, assim como olimpíada de matemática. Se couber na página, humaniza e tende a ser bem visto. O terceiro currículo, por exemplo, citava conquista de R$ 40.000 em financiamento para um projeto, segundo o vídeo — informação desse tipo é vendinha, e o currículo é o lugar de se achar.

Comparativo rápido dos três currículos

Os três perfis seguem o caminho comum de entrada no mercado em 2026: faculdade, trainee, estágio e depois a vaga júnior. Nenhum foi selecionado por qualidade — foram os três primeiros enviados. O que os diferencia na prática:

CurrículoPonto fortePrincipal defeitoAdequado à vaga?
PrimeiroBullets com resultado, TypeScript citado 3-4 vezesDuas páginas, Java e Terraform ausentesParcial
SegundoProjetos com link, empresa júnior, CS50Parede de texto, formatação sem padrãoParcial
TerceiroBullets bons, projeto voluntário, educação datadaJava citado sem uso, sem TerraformParcial

Nenhum dos três foi reprovado no currículo em si. Todos deixaram a desejar na adequação àquela vaga específica, o que reforça a lição central: currículo genérico bom não substitui currículo alinhado à vaga.

Formação e idiomas: onde cada item fica

Formação acadêmica precisa de data de início e data de fim ou prevista. Para perfil universitário, a educação pode subir no documento; caso contrário, fica no final. Idiomas vão sempre para o fundo, e "inglês avançado" diz pouco sozinho — o padrão do Quadro Europeu (B1, B2, C1, C2) comunica melhor.

Habilidades técnicas são uma seção útil, mas só quando amarradas ao resto do currículo. Separe idiomas das tecnologias, padronize os nomes — Next.js, TypeScript e Node.js escritos de forma consistente — e corte o que você não consegue sustentar numa conversa de dez minutos.

Para a carreira no geral, a orientação do vídeo ao primeiro candidato serve de modelo: quem tem frente de React e backend com Python caminha para full stack, e o próximo passo de maior retorno é aprofundar em DevOps e cloud. Quem quer acelerar essa preparação encontra caminhos estruturados como o Crazystack Typescript e formações do tipo bootcamp, como o Bootcamp do Dev Doido associado ao Gustavo Dev Doido, que organizam projetos práticos para esse tipo de vaga.

FAQ sobre currículo dev júnior

  • O currículo dev júnior deve ter uma ou duas páginas?

Uma página. Com pouco tempo de experiência, duas páginas sugerem enchimento. Condense, reduza espaçamento e corte o que não conversa com a vaga.

  • Preciso de resumo profissional no currículo?

Não é obrigatório e muita gente não vê valor nele. Se escrever, seja factual: cargo, anos de experiência, tecnologias principais e o que você entrega. Nada de "profissional que busca novos desafios".

  • Como saber se meu currículo passa no ATS?

Abra o PDF, dê Ctrl+F e procure as palavras-chave da vaga, como TypeScript, Java ou AWS. Se o documento é texto selecionável e as palavras aparecem, a triagem automática consegue lê-lo. Se não aparecem, você reprova antes de um humano olhar.

  • Vale colocar projetos pessoais sem experiência profissional?

Vale muito. Três projetos com link, objetivo, ferramentas e data demonstram desenvolvimento ativo e podem pesar mais que estágio curto. O projeto final do CS50, curso aberto de Harvard, é um exemplo reconhecido.

  • Foto no currículo ajuda ou atrapalha?

Atrapalha. A recomendação é nunca incluir foto em currículo de tecnologia no Brasil. Header com e-mail, LinkedIn, telefone e GitHub cumpre a função de identificação sem viés visual na triagem.

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