Trabalhar Muito e Alternância de Fases:
Às vezes o que parece ruim para os outros é exatamente o que você precisa. Entenda por que trabalhar mais em certas fases pode ser o caminho para satisfação real.
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Às vezes o que parece ruim para os outros é exatamente o que você precisa. Entenda por que trabalhar mais em certas fases pode ser o caminho para satisfação real.
Trabalhar Muito e Alternância de Fases:. Às vezes o que parece ruim para os outros é exatamente o que você precisa. Entenda por que trabalhar mais em certas fases pode ser o caminho para satisfação real.
Duas coisas acontecem com quase todo mundo que trabalha. A primeira: você reclama muito do trabalho. Faz sentido, porque trabalho tem um monte de coisa chata. E quanto mais você reclama, mais gostoso fica reclamar. É um ciclo. Você começa a canalizar o foco só na parte que te incomoda e vai esquecendo que tem um monte de coisa funcionando.
A segunda coisa é mais sutil. Você vive com aquela sensação de que deveria estar fazendo mais, fazendo melhor, que não alcançou o potencial, que poderia ter conquistado mais. E o fato de não ter conquistado te faz sentir um fracassado completo. Tem gente que chama isso de síndrome do impostor. Faz sentido.
O mecanismo fica claro num exemplo simples. Você trabalha 12 horas por dia. Abre o Instagram, vê um cara falando que trabalha 4, andando de iate numa segunda à tarde, com a família, porque ganhou muito dinheiro nos últimos meses. E você pensa: por que ele conseguiu e eu não? Isso acontece com muita gente. Não só na comparação direta com outros, mas também ao olhar para o próprio esforço e achar que o resultado colhido é menor do que merecia.
A gente vive num mundo de ansiedade extrema de dar certo. Antigamente, sem internet, demorava pra ver uma quantidade grande de pessoas parecendo bem-sucedidas. Hoje, você vê 200 em um dia. E não é só ver uma: você vê cada uma dizendo que a fórmula dela é a certa.
Essa cultura do 'se desafie, se desafie, se desafie o tempo todo' tem seu lado positivo. A gente tende a acomodar. Só que a gente confunde se desafiar com mudar o tempo inteiro de forma muito rápida. Quer fazer no próximo mês algo muito diferente e muito maior do que faz hoje. É como querer correr um Ironman treinando três meses sendo sedentário.
As pessoas ricas de gerações anteriores não tinham esse sentimento de urgência. Os corretores de seguros bem-sucedidos do tempo do meu pai tinham 50, 55 anos. Estavam ricos, tinham equipe grande, empresa consolidada — mas chegaram lá devagar. Hoje a gente acha que tem que estar milionário com 25.
Tem uma descoberta importante que vem quando você para de pensar só no que quer e começa a se concentrar no que tem que ser feito. Não é o que você quer. É o que precisa ser feito. Parece sutil, mas a diferença é enorme.
Quando você fica só pensando no que quer, olhando para os problemas e reclamando deles, começa a virar um cara rancoroso, egoísta e triste. Quando você vai lá e se concentra em terminar uma tarefa, fazer mais uma entrega, resolver o próximo problema, atender bem aquela pessoa — quando você esquece de si mesmo e foca no que tem que ser feito — acontece algo inesperado: satisfação pessoal.
Independente de estar ganhando mais ou menos dinheiro. Independente de estar fazendo exatamente o que queria. A satisfação aparece. Isso parece contraditório à primeira vista. Quanto mais faço o que quero, mais feliz fico, certo? Na prática, nem sempre. Às vezes é o contrário.
Uma das descobertas mais interessantes de fases de trabalho intenso é o que acontece com o tempo fora do trabalho. Quando você tem menos tempo disponível com as pessoas que ama, tende a viver esse tempo com muito mais intensidade.
Quando você tem muito tempo disponível, tende a desperdiçar. Está com o filho, mas fica no celular metade do tempo porque 'tem mais duas horas'. Quando o tempo é curto, você não desperdiça. Você chega e está presente. A atenção é total.
Isso não significa que trabalhar 16 horas por dia é a solução para tudo. Significa que a quantidade de tempo é menos determinante do que a qualidade da atenção que você traz para os momentos importantes.
Se você se concentrar em fazer com maestria, duas coisas acontecem. Primeiro, você começa a se comparar menos. Quando o trabalho te preenche, você não fica procurando no Instagram o cara que está melhor do que você. Você está ocupado demais fazendo algo que tem sentido.
Segundo, no contexto do Brasil, fazer com maestria é uma vantagem competitiva enorme. A maioria está tentando fazer o mínimo possível. Se você fizer um pouco mais que o mínimo, já começa a se destacar. Se você tentar fazer tudo com maestria, é quase impossível não chegar a algum lugar.
Existe a satisfação do progresso. Quem já tocou um instrumento ou praticou um esporte sabe disso. Você treina, treina, e de repente consegue tocar aquela música que parecia impossível. Você vira titular do time que nunca entrou. É a satisfação de ver o progresso real, visível, que impacta sua atuação no mundo.
Tem um ponto no livro Podres de Mimados que ficou gravado: as pessoas hoje só pensam nos seus direitos, não nos seus deveres. Como todo mundo está preocupado com seus direitos, você fica o tempo inteiro exigindo dos outros e da vida. Exigindo mais resultado para o esforço que faz. Exigindo o sucesso que acha que merece.
Quando você muda o foco — de 'o que tenho direito' para 'qual é o meu dever aqui' — a perspectiva sobre o trabalho muda completamente. O trabalho deixa de ser uma fonte de frustração e vira uma fonte de sentido.
A reflexão não é que você tem que trabalhar mais ou menos. É que você precisa identificar o que tem que ser feito e fazer, independente do que quer no momento. Fazer o melhor possível. E não parar de investir no desenvolvimento — ler, estudar, fazer cursos, aprimorar a técnica. Porque é isso que vai fazer você executar cada vez melhor o que precisa ser feito, e é isso que vai preencher progressivamente a sua vida.
Quando usar cada um