Storytelling com Livros: O Que Seth Godin
Seth Godin diz que marketing é o ato de contar histórias sobre as coisas que fazemos. Entenda como aplicar isso no seu conteúdo usando passado, presente e futuro.
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Seth Godin diz que marketing é o ato de contar histórias sobre as coisas que fazemos. Entenda como aplicar isso no seu conteúdo usando passado, presente e futuro.
Storytelling com Livros: O Que Seth Godin. Seth Godin diz que marketing é o ato de contar histórias sobre as coisas que fazemos. Entenda como aplicar isso no seu conteúdo usando passado, presente e futuro.
Existe uma frase no livro Tribus que muda como você pensa sobre conteúdo: 'O marketing é o ato de contar histórias sobre as coisas que fazemos.' Parece simples. E é. Mas a maioria das pessoas ignora isso e vai direto para o modo tutorial — aquele tom de professor que acha que saber algo é suficiente para ensinar.
Não é. Saber não basta. O que conecta as pessoas a um criador de conteúdo não é o volume de conhecimento que ele despeja, é a história que ele conta sobre como chegou até aquele conhecimento.
Dá pra ver isso em qualquer feed. Os conteúdos que travam a atenção não são os mais técnicos. São os mais humanos. São os que têm um observador relatando o que viu — não um especialista ditando o que você deve fazer.
Um modelo útil para pensar em storytelling vem de uma teoria chamada 'A Personalidade Humana em Três Pessoas'. A ideia, simplificada ao máximo, é que cada pessoa opera em três modos distintos dependendo de como ela se relaciona com o tempo.
O eu do passado é o crítico. É quem olha para trás, analisa o que aconteceu, identifica o que deu certo e o que foi por água abaixo. O eu do futuro é o roteirista. É quem planeja, projeta cenários, traça caminhos. E o eu do presente é o personagem — quem de fato vive as situações em tempo real.
Quando você cria conteúdo, você tem três fontes naturais de histórias: o que você já fez e aprendeu (crítico), o que você está fazendo agora (personagem), e o que você pretende fazer (roteirista). Qualquer um desses funciona. O erro é achar que você precisa de uma quarta fonte — a do especialista que sabe mais do que os outros e vem ensinar.
Tem um padrão no conteúdo que cansa. É o texto que começa com 'Neste artigo, vou te ensinar' e termina com '10 dicas para' alguma coisa. Todo mundo fazendo a mesma coisa, com o mesmo tom, tentando se posicionar como autoridade.
O Substack está cheio disso. O YouTube também. É sempre alguém ensinando como você deve fazer alguma coisa — no tom de aulinha — e não como aquela pessoa fez, está fazendo ou pretende fazer. A diferença parece sutil, mas no resultado ela é enorme.
O tom professoral afasta porque coloca uma hierarquia artificial entre quem fala e quem ouve. Você se torna o 'senhor palestrinha' — aquela figura que ninguém suporta em festa e que tem exatamente o mesmo efeito quando aparece no feed. As pessoas pulam.
O observador que relata, por outro lado, puxa a atenção de outra forma. Ele não impõe. Ele mostra. É como assistir um bom documentário — você está vendo alguém que foi aonde você não foi e está te contando o que viu. Isso gera confiança sem precisar gritar autoridade.
A melhor forma de apresentar um princípio ou uma regra no seu conteúdo é extrair essa regra de algo que aconteceu na sua vida. Não inventar a regra e depois procurar um exemplo. Fazer o caminho inverso: algo acontece, você pensa sobre isso, e aí você encontra o princípio escondido ali dentro.
Por exemplo: você está conversando com alguém no carro e essa pessoa comenta que você faz uma coisa todos os dias desde que ela te conhece. Isso te leva a pensar sobre hábitos, sobre o que de fato você consegue manter no longo prazo, sobre o que diferencia o que vira rotina do que fica só no desejo.
Desse evento pequeno, você consegue tirar uma conclusão que vale para qualquer pessoa que esteja tentando criar constância em algo. E quando você traz essa conclusão depois de contar o que aconteceu, ela chega diferente. Chega como descoberta compartilhada, não como receita imposta.
O conteúdo que você cria tem três camadas: a descrição do fato, o que você pensou e sentiu sobre ele, e a conclusão que você tirou. As três camadas juntas fazem um conteúdo que as pessoas conseguem acompanhar — e do qual elas saem com algo útil sem sentir que ficaram numa aula.
Uma dúvida comum entre criadores de conteúdo é: 'Mas e se eu nunca vivi o que quero ensinar?' A resposta é que você não precisa ter vivido. Precisa ter experiência.
Um médico que trata pacientes com depressão não precisa ter tido depressão para criar conteúdo sobre o tema. Ele cria como acompanhante — como quem observou de perto, atuou, aprendeu com os casos. Ainda é experiência real. Ainda é material honesto.
O que não funciona é criar conteúdo sobre algo que você não tem nenhuma ligação. Não porque é desonesto no sentido moral, mas porque fica vazio. As pessoas sentem quando não tem história por trás das palavras.
Depois de anos observando quem sobrevive na internet para além de cinco anos, um padrão fica claro: os que aguentam são os que construíram algo que Seth Godin chama de tribo. Não seguidores. Não audiência. Tribo.
A diferença é que tribo implica cultura compartilhada. Implica que as pessoas que te ouvem passaram por um processo de identificação com os seus valores, com a sua visão de mundo, com a forma como você pensa. Elas não estão lá pelo conteúdo — estão lá por você.
E você só constrói isso contando histórias. Porque histórias são o mecanismo pelo qual as pessoas decidem se compartilham ou não os seus valores. Quando você conta o que fez, o que está fazendo, o que pretende fazer — as pessoas do outro lado vão fazendo esse cálculo: isso bate com o que eu acredito? Esse cara pensa parecido comigo?
Quem achar que sim fica. Quem achar que não, vai embora. E tudo bem. Você não quer todos. Você quer os que ficam porque se identificam de verdade — porque esses são os que compram, os que recomendam, os que voltam.
Com a inteligência artificial produzindo conteúdo em escala, o maior diferencial que sobrou para quem cria é exatamente o que a IA não consegue simular de verdade: a história pessoal, o pensamento original, a opinião formada por experiência.
O conteúdo genérico vai ficando cada vez mais igual, mais mediano, mais indistinguível. O conteúdo que sai da sua vida — das coisas que você fez, que está fazendo, que planeja fazer — vai ficando cada vez mais raro e, por isso, cada vez mais valioso.
Essa não é uma tendência pequena. É uma mudança de cenário. E quem souber contar histórias sobre as coisas que faz vai ter uma vantagem que nenhuma ferramenta de automação consegue replicar.
O ponto final de Tribus é que a internet não precisa de mais conteúdo. Precisa de mais criadores que realmente têm algo a dizer — porque viveram algo, observaram algo, pensaram sobre algo. E que saibam traduzir isso em história. Simples assim.
Quando usar cada um