Storytelling e Autoridade Digital: Como Ganhar
Você não precisa saber para quem fala antes de começar. O caminho certo é escolher um objeto — um tema que você domina — e deixar a persona
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Você não precisa saber para quem fala antes de começar. O caminho certo é escolher um objeto — um tema que você domina — e deixar a persona
Storytelling e Autoridade Digital: Como Ganhar. Você não precisa saber para quem fala antes de começar. O caminho certo é escolher um objeto — um tema que você domina — e deixar a persona aparecer sozinha enquanto você fala.
Dá pra resumir tudo numa frase: o passo número um da criação de conteúdo não é saber para quem você vai falar, é saber qual é o objeto sobre o qual você fala.
Um exemplo que parece bobo mas é perfeito: imagine que você vai criar um canal sobre lapiseiras. Não importa quem vai te ouvir no começo. Você simplesmente explica o que é uma lapiseira, por que é melhor que uma caneta pra escrever num livro, pra quem faz sentido, como ela se encaixa na rotina. Naturalmente, duas coisas acontecem: quem já pensa em lapiseiras começa a te seguir, e quem nunca pensou nisso começa a pensar — porque você enquadrou o objeto de forma útil.
O objeto não é necessariamente algo físico. É a coisa sobre a qual você fala. Pode ser trabalho no digital, gestão de tráfego, psicologia, culinária vegana. O ponto é: você precisa escolher uma coisa. Não dá pra falar de tudo. Quem fala de tudo não é lembrado por nada.
Quando você escolhe um objeto com clareza e começa a falar sobre ele com domínio, ele vira sua bandeirinha. Vira a categoria de mercado pela qual você é conhecido. E quando as pessoas pensarem naquele tema, elas vão lembrar do seu nome — não porque você forçou isso, mas porque você é o cara que melhor enquadra aquele assunto na vida delas.
Conforme você vai falando do seu objeto, as pessoas começam a aparecer. Elas são variadas, diferentes entre si. Seu trabalho não é inventar uma persona fictícia agora — é observar quem chegou e encontrar o padrão. O que essas pessoas têm em comum?
Isso não acontece numa semana. Acontece em três meses, seis meses, um ano. É um processo de observação. Você olha os comentários, as perguntas, os perfis de quem interage. Conforme você identifica as características comuns, você começa a entender com quem está falando de verdade.
Quando você sabe do que fala E para quem fala, acontece algo poderoso: você se torna capaz de contar histórias. E é o storytelling que transforma conteúdo em autoridade.
Toda história tem a mesma estrutura básica: um personagem principal, um mundo no qual ele está colocado, e uma sequência de problemas que ele precisa resolver. Isso vale pra todo filme, toda série, todo livro.
No seu conteúdo, o storytelling funciona da mesma forma. O seu objeto define os problemas. Cada vídeo, texto ou post que você cria é um evento da jornada do seu personagem — que é a sua persona. Você está mostrando problemas que acontecem dentro daquele recorte da vida dela e como ela pode superá-los.
Perceba que você não resolve a vida inteira da pessoa. Você faz um recorte. Se você fala de trabalho no digital, não fala de academia ou relacionamento. Você olha apenas para aquela parte da vida do personagem — e naquela parte, você mostra o cenário atual, a jornada que precisa ser percorrida, e como é o cenário ideal do outro lado.
A sacada mais poderosa é essa: ao mostrar como resolver os problemas dentro do seu recorte, você implicitamente mostra que várias outras coisas na vida do personagem também vão mudar. O trabalho no digital resolvido impacta a renda, a liberdade, o tempo com a família. Seu conteúdo não resolve um problema, resolve um ponto focal que gera efeitos em cascata.
Um exemplo prático: alguém disse numa live que seu erro era ser professor em vez de contador de histórias. A resposta certa não é concordar. É reenquadrar: os melhores professores são os melhores contadores de histórias. Não é um ou outro — é que pra ser bom professor, você precisa ser bom contador de histórias.
Isso é reenquadrar o objeto. A pessoa olhava e via errado. Depois do reenquadramento, ela passa a ver certo. É como alguém dizer 'isso é uma caneta' e você mostrar que não, é uma lapiseira — e que lapiseira é diferente de caneta porque você pode apagar.
Quando você domina o seu objeto a ponto de conseguir reenquadrá-lo para as pessoas, você demonstra autoridade de forma genuína. Não é pose. É conhecimento real aplicado na vida de quem te ouve.
Um ponto que a galera costuma ignorar: isso não se faz em um vídeo. Esse processo de construção de autoridade via storytelling acontece no conjunto dos vídeos. A pessoa precisa ver vários conteúdos seus pra que o efeito acumule.
Cada vídeo é um episódio da jornada. Cada episódio ilumina uma faceta diferente do objeto, enquadrada na vida do personagem. Conforme a pessoa acumula esses episódios, ela vai vislumbrando o caminho com mais clareza. E vislumbrando o caminho, ela vai confiar mais em você — e eventualmente vai comprar.
É por isso que consistência não é sugestão, é requisito. Você precisa aparecer repetidamente com conteúdo de qualidade. Não pra forçar venda, mas pra que o efeito cumulativo das impressões que você causa chegue ao ponto em que a pessoa decide: esse cara sabe o que está falando, vou comprar.
O maior ativo que você tem como criador de conteúdo é a sua própria experiência. Se você passou pelos problemas sobre os quais fala — e os superou, estudando e desenvolvendo habilidades — sua vida já é material para anos de conteúdo.
Meditar sobre a própria vida, tirar conclusões, entender o que funcionou e o que não funcionou: isso te dá o material mais rico que existe. Porque você também faz parte da sua persona. Você compartilha características comuns com quem te ouve.
E quando você faz isso honestamente — sem tentar parecer mais inteligente ou mais rico do que é — as pessoas percebem. Elas percebem que você compreende pelo que elas estão passando. Isso cria uma conexão que nenhuma estratégia de marketing consegue fabricar.
Você não precisa que o Brasil inteiro te ouça. Precisa que as pessoas que têm as características comuns da sua persona te ouçam. Mesmo sendo poucas, elas vão comprar — porque percebem que você as entende de verdade. E isso é o que constrói um negócio duradouro na internet.
Quando usar cada um