Instagram vs YouTube: Qual Plataforma Escolher
A galera do Instagram pensa em dinheiro. A galera do YouTube tenta curtir o processo. Essa diferença de mentalidade explica muito mais sobre qual plataforma faz sentido para
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A galera do Instagram pensa em dinheiro. A galera do YouTube tenta curtir o processo. Essa diferença de mentalidade explica muito mais sobre qual plataforma faz sentido para
Instagram vs YouTube: Qual Plataforma Escolher. A galera do Instagram pensa em dinheiro. A galera do YouTube tenta curtir o processo. Essa diferença de mentalidade explica muito mais sobre qual plataforma faz sentido para você do que qualquer métrica de alcance.
Tava em Florianópolis, tomando um chope com o Bruno Fagion — um criador do YouTube que conheci por lá. Conversa vai, conversa vem, chega um momento que começo a falar sobre algo que estava observando faz um tempo: a diferença gritante de mentalidade entre a galera que cria no Instagram e a galera que cria no YouTube.
Eu vim do mundo do Instagram. Conheci muita gente que produz conteúdo por lá, que tenta viver disso. E migrei pro YouTube num processo que foi, em parte, uma fuga. Não uma fuga covarde — uma fuga consciente de um ambiente que estava me consumindo de um jeito que não queria mais.
O que percebi nessa transição: enquanto a galera do Instagram pensa pura e simplesmente em como ganhar dinheiro, as pessoas que estou conhecendo no YouTube estão tentando encontrar prazer no processo. Tentando curtir enquanto constroem o faturamento. Isso não é ingenuidade. É uma diferença de filosofia que muda tudo no longo prazo.
Tem um livro do Ali Abdaal chamado Produtividade do Bem. O primeiro capítulo se chama Diversão. Ele propõe que você precisa se divertir enquanto faz o que quer fazer da vida — não como conselho motivacional, mas como estratégia prática. A diversão aumenta a produtividade porque deixa você mais feliz no processo, o que é óbvio quando você para pra pensar.
Mas tem uma camada além da produtividade. Quando você não está curtindo, o conteúdo fica ruim. Não subjetivamente ruim. Visivelmente ruim. Dá pra ver nos analytics. Os períodos em que não estava curtindo fazer os vídeos têm uma baixa absurda de visualizações. Os períodos em que acho temas que gosto de falar, tem uma explosão.
Existe algo na honestidade que cativa. Quem assiste percebe quando o criador está realmente engajado no assunto ou quando está fazendo por obrigação. E isso é quase instintivo — você não precisa saber nomear o que está sentindo para reagir diferente a um vídeo genuíno versus um vídeo mecânico.
Quando usar cada um
Então você pode destruir todas as regras de viralização, crescimento e compartilhamento. Joga tudo no lixo. Coloca uma coisa só: vai lá, liga a câmera e fala o que está mais no fundo do teu coração. Faz isso tantas vezes que você vai perceber que dentro do teu coração tem duas, três coisas mais pujantes. E você vai começar a nichar o conteúdo naturalmente.
Um dos maiores erros que vi no Instagram é o cara o tempo inteiro tentando descobrir o que dá mais dinheiro. Parece razoável. Mas na prática, isso torna as pessoas miseráveis — e piora os resultados financeiros no longo prazo.
O mecanismo é assim: o cara começa a fazer coisas que não quer fazer porque acha que dão mais dinheiro. Pode ter um ganho inicial de curto prazo. Mas no longo prazo, ele ganha menos ainda. Começa a fazer a coisa, fica triste por estar fazendo um negócio que não quer, essa tristeza vira ressentimento, fica puto com quem sugeriu, e isso vai corroendo a alma de alguma forma.
Sete anos no digital me ensinaram uma coisa: o que você acha que faz as pessoas ganharem dinheiro quase nunca é o que faz elas ganharem dinheiro. Quase nunca. O que de fato funciona está numa camada que você não consegue ver de fora. Você só aprende isso ficando bom naquele mercado, não olhando de longe e listando os elementos que enxerga.
Funciona o vídeo sem edição? Funciona. Funciona o vídeo muito bem editado? Também. Vídeo longo? Sim. Vídeo curto? Também, dentro de certos limites. Ser animado? Funciona. Ser mais sério? Funciona. Meio que tudo funciona. Só que para você, vai funcionar o que vai ao encontro da sua personalidade, do seu conhecimento e da sua disposição real de fazer.
A armadilha da comparação é olhar só para o resultado. Olhar para o resultado não te diz nada útil — resultado é consequência, não possibilidade. O que te mostra possibilidades é olhar para as ações que geram os resultados.
Exemplo prático: olho para um canal com milhões de seguidores e grande faturamento. Em vez de ficar desejando o resultado, começo a observar o que esse criador faz para chegar lá. E me pergunto: isso é o que eu estou disposto a fazer?
Arthur Miller tem um estilo de vídeo que eu acho do caralho. Dá vontade de ver todos. Mas eu faria? Jamais. Não tenho o mínimo saco para fazer aquele tipo de conteúdo. E sabe o que essa percepção faz? Acaba a comparação imediatamente. Ele não faz o que eu faço. Logo, não tem base para comparar.
Isso funciona também quando você olha para criadores com práticas que não respeita. Cara com milhões, mas que exagera nas promessas de uma forma que você não está disposto a fazer. Pronto. O fator que faz o resultado daquele cara — e que é crucial no conteúdo dele — você não está disposto a reproduzir. A comparação perde o sentido.
Olhar para resultados mais ações, e as ações na sua camada secundária e terciária, não só superficialmente. Dali você começa a montar o seu próprio caminho — o conjunto de coisas que você está disposto a fazer. E aí encontra suas possibilidades reais.
As pessoas que estou conhecendo no YouTube não estão manchadas pelo viés de curto prazo que domina o Instagram. Elas estão tentando encontrar o próprio estilo, o próprio jeito de gravar, o próprio jeito de criar. Estão descobrindo qual tipo de vídeo querem fazer e dando all in naquilo.
Isso não significa que todo mundo no YouTube é assim. Com certeza tem gente lá também tentando fazer só o que dá certo, imitando formatos sem personalidade. Mas a cultura que percebi é diferente. Tem mais gente disposta a masterizar uma atividade do que a descobrir o que dá mais dinheiro no mês.
E tem mais gente que não está se corrompendo — não está fazendo coisas que não curte, não está trocando os próprios valores para conseguir faturamento. Está batalhando, sim. Tentando sair de CLT, construir segunda renda, fazer a empresa crescer. Mas de um jeito que tem a ver com quem é.
Isso é, em última análise, a forma como deveria funcionar. Você descobre sua forma de fazer — não a forma que funciona em geral, mas a forma que funciona para você. E essa forma de fazer precisa ir ao encontro da sua personalidade, do seu conhecimento e da sua disposição real.
Vou ser honesto: mesmo com um negócio estável e crescente — crescidinha, caidinha, crescidinha mais alta ainda, gráfico sempre pra cima ao longo dos anos — eu ainda deito na cama e fico pensando se vou conseguir pagar as contas pro resto da vida. E sei que não tem como saber isso. Ninguém sabe, nem o cara mais bilionário do mundo.
Tenho outra tendência que é um terror: mudo muito de ideia. O tempo inteiro. Tenho que controlar demais a vontade de fazer outra coisa praticamente todo dia. Meu negócio ficou dois anos como Projeto Valor, mudou para OPB School, e minha cabeça já fica querendo mudar de nome de volta. Sei que daqui a três semanas vou querer outro nome de novo. Então não mudo — não porque estou satisfeito com o nome, mas porque sei que isso é um padrão meu.
Mas aqui está o que eu aprendi: mesmo com essas tendências difíceis — a ansiedade, a mudança de ideia — todas as vezes que meu negócio deu certo foram as vezes que curti o processo. Esse negócio é impressionante e consistente. É nítido nos dados.
Um amigo falou para mim dois meses atrás: você precisa se divertir fazendo o que faz, senão vai dar errado. Concordei imediatamente. Sempre pensei nisso. Se não estou curtindo fazer o vídeo, o vídeo fica uma porcaria. Simples assim.
Nicho não se escolhe. Você é o seu nicho. Quando você liga a câmera e fala o que está mais no fundo do coração — sem filtro de 'o que vai viralizar' — você vai percebendo que seu coração não é tão grande assim. Você tem duas, três coisas que dominam. E são essas coisas que vão formar o nicho naturalmente.
Isso é muito diferente de pesquisar qual nicho tem mais procura ou qual categoria monetiza melhor no YouTube. Esses dados podem ser úteis de forma adjacente, mas se você construir o nicho só em cima deles, sem que a matéria-prima venha do que você realmente quer falar, vai durar pouco. Vai ficar entediado, vai perder qualidade, vai desistir.
O nicho certo é o que cruza três coisas: o que você é bom em fazer, o que você suporta fazer e o que você curte. Não precisa ser paixão intensa todo dia. Suportar já é diferente de odiar. E no suportar com prazer intermitente, você vai ficando bom. E ficando bom, você passa a curtir mais. É um ciclo que se alimenta.
Seja um pouco mais como a galera do YouTube e um pouco menos como a galera do Instagram. Não porque o YouTube é melhor plataforma tecnicamente — é porque a mentalidade que mais vi funcionar no longo prazo é a de quem está curtindo o processo, tentando masterizar um estilo próprio, sem se corromper pelos atalhos que parecem urgentes mas não vão a lugar nenhum.
Isso não significa ignorar dinheiro. Significa não deixar o dinheiro ser o único critério. Porque quando o dinheiro é o único critério, você começa a fazer coisas que não quer fazer, fica triste, fica ressentido e acaba fazendo menos dinheiro ainda.
A pergunta que vale fazer antes de escolher a plataforma não é 'qual tem mais alcance?' É: 'Em qual eu vou conseguir criar de um jeito que me dê prazer por anos?' Essa resposta vai variar por pessoa. Mas o critério para chegar nela é o mesmo para todo mundo.
Quando você começa a fazer a comparação certa — resultado mais ação, não só resultado — você descobre suas possibilidades reais. E aí monta o caminho que é só seu. Que combina com sua personalidade, com o que você sabe, com o quanto está disposto a ir. Esse caminho é o que vai durar.