Futuro do Marketing Digital: 4 Etapas
Audiência, infoproduto, despersonificação e ferramentas. As 4 fases que todo negócio digital percorre — e onde você está nessa jornada agora.
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Audiência, infoproduto, despersonificação e ferramentas. As 4 fases que todo negócio digital percorre — e onde você está nessa jornada agora.
Futuro do Marketing Digital: 4 Etapas. Audiência, infoproduto, despersonificação e ferramentas. As 4 fases que todo negócio digital percorre — e onde você está nessa jornada agora.
Em 2018, quando comecei no digital, minha ideia era bem simples: se eu construísse audiência, eventualmente alguém me pagaria para falar do produto dele. Queria ganhar livros das editoras para falar deles. De fato aconteceu em 2019 — mas logo percebi que não queria recomendar livros que não li.
Essa primeira etapa é a que abre o jogo para qualquer um. A lógica é direta: você constrói audiência, e pessoas pagam para você usar esse espaço. Publicidade, afiliados, parcerias. Funciona e continua funcionando. Até hoje faço vídeos para marcas que confio. Por que não?
O detalhe que define essa fase é a dependência total de se tornar uma personalidade capaz de atrair pessoas para te ouvir. Sem isso, o negócio não roda. Não tem atalho aqui — é audiência ou é nada.
Um ponto que poucos falam: no começo você não sabe o que vender. Eu não sabia. Em 2018 não sabia nem que dava pra vender curso. Sabia apenas que dava pra colocar link de afiliado da Amazon. A primeira categoria se abre exatamente assim — você vai descobrindo as possibilidades conforme a audiência cresce.
No dia 29 de novembro de 2019, comecei a ter dinheiro de curso. Esse dinheiro pagou tudo — equipamentos, operações de múltiplas empresas, casa, carro, vida. A venda de infoproduto foi o que me deu tudo que tenho.
Tem um preconceito enorme com 'vendedor de curso'. As pessoas criaram uma imagem negativa, associando ao novo coach. Mas se você tem um bom curso e ensina algo que agrega, está fazendo um bem para as pessoas. O problema não é o modelo — é a quantidade de gente ruim que deteriora qualquer categoria profissional. Acontece em todo mercado.
Essa é uma categoria de construção de médio prazo. Minha estimativa: de 3 a 5 anos para construir uma renda consistente de infoprodutos. Por quê? Porque esse é o tempo que demora para conquistar a confiança da audiência.
Se você já chega com autoridade prévia — nome reconhecido, resultado comprovado em outra área — esse tempo comprime. Mas quem começa do zero, como eu comecei sendo 'um moleque qualquer do interior do Paraná', vai ter que remar. São 5 anos vendendo e mais de 25 mil alunos depois. Vendi curso de R$ 9,90 até mentoria de R$ 60 mil. É uma categoria que entrega, mas exige perseverança.
Depois de construir reputação e legitimidade vendendo bastante produto, surge uma possibilidade que poucos enxergam antes de chegar nela: a despersonificação. Deixar de ser você vendendo seu curso para ser você indicando uma empresa que tem vida própria.
O G4 Educação é um exemplo que fica claro. Os fundadores hoje são canais de aquisição de uma empresa que já ganhou força própria. O G4 tem sua rede de aquisição independente — mas os canais pessoais dos fundadores amplificam isso. A contribuição pessoal importa, mas a empresa não depende mais exclusivamente dela.
No meu caso, a OPB Studio — agência de marketing — começou esse processo. A intenção é que com o tempo a agência ganhe uma força maior do que a minha presença pessoal. Que em algum momento eu não seja mais o principal canal de aquisição dela. É o modelo Steve Jobs da Apple: o Facebook é maior que o Zuckerberg.
O que essa fase te devolve? Tempo. Se você produz quatro vídeos por semana há um ano e meio, vai entender o que é 'tempo gasto'. A despersonificação implica recuperar esse tempo. Você passa a criar conteúdo por puro prazer, sem a pressão de que aquele post específico precisa converter venda agora.
Muita gente despersonifica para vender a empresa depois. Eu não quero isso. Quero o tempo de volta. Quero voltar a escrever nos e-mails — é a coisa que mais sinto falta. Mas o movimento é o mesmo: criar um canal de aquisição que não depende da tua presença constante.
Aqui está o movimento que vai definir o digital nos próximos anos. A transição de dar aulas para fornecer ferramentas. Com a inteligência artificial facilitando a automação de tudo, o cliente está ficando cada vez mais avesso ao esforço intelectual próprio.
Pensa no raciocínio do delivery: antes eu saía de casa para buscar minha comida. Com o iFood, a comida chega. Fui ficando cada vez mais parado. O mercado digital está andando para o mesmo lado — o cliente quer a ferramenta que entrega tudo pronto, sem precisar assistir 20 horas de aula para aprender a usar.
Há dois anos atrás, eu era obrigado a criar meu produto inteiramente da minha cabeça. Hoje existe IA que faz roteiro de aula, ordem de módulos, tudo. Dá pra ter um produto com o meu nome que não foi criado por mim. Não sou a favor disso — mas dá. E esse movimento está empobrecendo intelectualmente os clientes, da mesma forma que o músculo atrofia quando para de ser usado.
O que isso significa na prática? Surgem três categorias: ferramenta, curso e serviço. Serviço nunca vai acabar — o que muda é como quem entrega o serviço o executa internamente. Infoproduto não vai acabar, mas escalar e ganhar muito dinheiro com ele vai ficando cada vez mais difícil. E a ascensão das ferramentas — os SaaS, as automações, os InfoSaaS — vai dominar o próximo ciclo.
Assim como quando surgiu o mercado de aplicativos e todo mundo queria ter um app, agora todo mundo vai querer vender ferramentas alimentadas por IA. É a evolução natural do ciclo.
Qual é o problema de pular direto para vender ferramenta? Você precisa de audiência. O problema é sempre esse. E o caminho mais eficiente para monetizar audiência no início ainda é ensinar as coisas que você sabe.
Por quê? Desejo mimético. As pessoas querem ser um pouco mais como você. Quem te acompanha, se gostar do que vê, vai querer replicar o resultado. Então a primeira coisa que vai abrir para você vender é exatamente isso: ensinar a ser igual a você.
Por isso os caras vendem curso de vender curso. Porque aprenderam a fazer — e ensinam quem quer aprender. Não é nenhuma conspiração, é apenas o desejo mimético funcionando. Leio um autor que admiro e quero pensar como ele. Conheço alguém de resultado e quero ter o resultado dele. É movimento humano, natural, sem nada de errado.
Depois de ensinar bem, as pessoas confiam. Com a confiança construída, você ganha a possibilidade de ter uma empresa que você só indica — e ela funciona com time próprio e canal de aquisição próprio. Esse é o longo prazo: começo vendendo para os outros, depois vendo para mim, depois vendo para a minha empresa.
Olhar para esses quatro estágios serve como mapa. Você não precisa estar em todos ao mesmo tempo — eles são sequenciais, e os dois últimos podem ser paralelos ou o mesmo caminho, dependendo da direção que você escolhe.
O que importa é saber em que fase você está e o que a próxima fase exige de você. Se você ainda está construindo audiência, o foco é produção de conteúdo. Se já tem audiência mas sem produto, é hora de criar o infoproduto. Se já vende bem, é hora de pensar em despersonificação ou ferramentas.
Quem aguenta o caminho, fica bom nisso e não desiste ganha a possibilidade de percorrer todas as etapas. E cada etapa abre possibilidades que a anterior não tinha. É um jogo de longo prazo — e o digital está ficando cada vez mais sério e mais aberto para quem leva isso a sério.
Quando usar cada um