Erros de Comunicação Empresarial Que Custam
Comunicação externa com público errado e falha na transmissão interna de visão são os erros mais comuns e mais caros de negócios digitais. Entenda como identificá-los e corrigi-los.
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Comunicação externa com público errado e falha na transmissão interna de visão são os erros mais comuns e mais caros de negócios digitais. Entenda como identificá-los e corrigi-los.
Erros de Comunicação Empresarial Que Custam. Comunicação externa com público errado e falha na transmissão interna de visão são os erros mais comuns e mais caros de negócios digitais. Entenda como identificá-los e corrigi-los.
Quando nós falamos de erros empresariais, a maior parte deles não surge de falta de competência técnica. Surge de comunicação. Dá pra ter um bom produto, um bom serviço e uma equipe razoavelmente qualificada, e mesmo assim as coisas emperrarem. O que trava tudo? Comunicação mal feita.
O primeiro erro é o da escolha de público. Parece óbvio, mas acontece o tempo todo: você pensa que está falando com um tipo de pessoa, mas os números mostram outra coisa. Imagine que você quer atrair mulheres empreendedoras, mas os temas que você cobre, os problemas que você aborda, os exemplos que você usa, são todos de interesse majoritário masculino. O que você quer não é refletido pelo que você faz.
E aí começa a confusão. Você olha para os dados, vê que está atraindo o público errado, e não entende por quê. A razão é simples: a sua comunicação não foi desenhada para quem você disse que queria falar.
O ponto de partida mais honesto, quando você não sabe exatamente com quem quer falar, é falar com você mesmo. Não o você de hoje, mas o você de um ano atrás, de três anos atrás, de cinco anos atrás. Esse exercício funciona porque você já viveu aquela fase. Você sabe quais dúvidas essa pessoa tem, quais medos carrega, o que precisava ouvir.
Quando você já tem clareza sobre o público, a segunda pergunta muda: como eu preciso me comportar para essa pessoa me ouvir? Não é a mesma postura em todos os contextos. Você não fala do mesmo jeito com velhos amigos numa mesa de bar e com uma pessoa que acabou de conhecer num evento. Tom de voz, cadência, vocabulário, tudo muda a depender de quem está do outro lado.
Essa diferença precisa aparecer na sua comunicação digital. Cenário, roupas, gírias, pausas, o que você expõe, a narrativa que você constrói, tudo isso é escolha de posicionamento. É básico de entender e difícil de executar. Mas é o que define se as pessoas certas chegam até você.
Quando usar cada um
Um caso concreto: um vídeo com o título 'O que eu faria se começasse no digital hoje' soa como conteúdo para iniciantes. Mas se o criador quer falar com quem já está no digital há bastante tempo, esse título atraiu o público errado. A diferença entre os dois públicos é sutil, mas o impacto nos títulos, nos ganchos, nas promessas do conteúdo é enorme.
O erro interno é tão grave quanto o externo, e os dois costumam estar conectados. Você decide, dentro da sua cabeça, para qual público quer comunicar. Só que não conta para ninguém. E aí, a pessoa que te ajuda a criar títulos de vídeo, a pessoa que escreve textos para você, a pessoa que posta nos seus canais, continua operando com a visão antiga.
O resultado aparece lá fora: títulos que atraem quem você não queria, headlines que não ressoam com quem você quer alcançar, conteúdo que fala com o público errado. E quando você vai cobrar, precisa primeiro se perguntar: o erro saiu de onde? Porque antes de cobrar alguém, o honesto é checar se a instrução chegou direito.
Em muitos casos, o erro de quem executa é apenas o efeito de um briefing ruim, de uma visão que nunca foi transmitida. Quem passa um briefing incompleto para um copywriter e depois reclama do resultado, está reclamando de um erro que criou.
A solução para o erro de comunicação interna não é mandar um documento explicando tudo uma vez. É criar uma frequência de conversas. Encontros regulares onde você está, em essência, dando uma aula sobre a sua forma de enxergar o negócio.
Quem trabalha com você não precisa pensar igual a você sobre religião, hábitos pessoais ou política. Mas precisa enxergar as mesmas coisas que você enxerga quando o assunto é comunicação, construção de audiência, posicionamento, o que é e o que não é o teu público. Isso é criação de cultura. E cultura não se instala com um memorando, se instala com presença e repetição.
No começo, é um monólogo. Você explica como pensa. Com o tempo, à medida que a pessoa evolui, vira diálogo. Ela começa a trazer perspectivas que você não tinha, enxergar coisas que você não via. Esse é o ponto em que a relação de trabalho começa a gerar frutos de verdade.
É como aprender com um bom professor. No início, a distância entre os níveis é grande. Conforme o aprendizado avança, essa distância diminui. Em alguns assuntos, o aluno passa o professor. Não porque o professor parou de crescer, mas porque o aluno chegou lá naquele ponto específico. E aí a troca passa a ser de igual pra igual.
Os efeitos de uma comunicação mal feita não ficam só nos bastidores. O impacto imediato é atrair a pessoa errada. O impacto seguinte é vender menos. Porque a oferta que você tem, o preço que você cobra, a promessa que você faz, foi desenhada para um público específico. Quando o público que chega é outro, a oferta não encaixa.
E quando eu falo oferta inadequada, não é só o produto em si. É o preço, a forma de comunicar, o que é prometido, o que é entregue. Se o público que chegou até você é diferente daquele para quem você criou a entrega, a insatisfação vai aparecer. Não porque o produto é ruim, mas porque ele foi feito para outra pessoa.
Um plano de ação para sair do loop começa com três perguntas, nesta ordem:
Primeira: o que eu vendo e para quem isso serve? Não toda forma de ensinar serve para todo tipo de aluno. Não todo produto serve para toda faixa de experiência. Definir isso com precisão é o ponto de partida.
Segunda: com quem eu quero falar? Depois que você sabe o que vende e para quem serve, você começa a adequar a oferta ao público. Não o contrário. O produto ajusta a comunicação, e a comunicação atrai o público certo.
Terceira: como está o alinhamento entre o que eu penso e o que meu time executa? Essa pergunta precisa ser feita com frequência.
Essas três coisas não são uma linha reta. São um ciclo. Quando você ajusta o público, o produto muda. Quando o produto muda, a comunicação muda. E aí você volta ao público, que se refinа. É um processo de iteração. Com o tempo, ele aperta o nicho. Mas não porque você escolheu um nicho. Porque você foi ajustando as três variáveis e o nicho emergiu como consequência.
Repetido por meses, esse ciclo vai canalizando o público. O que era heterogêneo, com pessoas muito diferentes e interesses variados, vai se tornando mais homogêneo. Você não escolhe nicho. Você cria a sua própria categoria dentro do mercado.
Quando a comunicação funciona, o efeito é acumulativo. Você fala cada vez mais com as pessoas certas, e isso se converte em vendas melhores e mais consistentes. Com o tempo, a velocidade aumenta. O que levava anos começa a acontecer em meses, porque você já aprendeu a navegar nesse ciclo com mais precisão.
É por isso que empreendedores experientes, quando perguntados sobre recomeçar do zero, costumam dizer que fariam tudo mais rápido. Não porque têm mais capital, mas porque sabem ajustar comunicação, produto e público com muito mais agilidade do que antes.
O ajuste fino de comunicação leva mais tempo do que o esperado. Acontece principalmente através de conversas. E se reflete em coisas muito concretas: mais visualizações das pessoas certas, mais ofertas que encaixam, mais vendas a preços maiores, mais clientes satisfeitos com o que recebem. Não é mágica. É alinhamento.