Como Criar Conteúdo com Rotina Cheia:
Pai de três filhos, empresa com 22 pessoas, reuniões o dia inteiro. Como eu consegui manter produção de conteúdo constante com uma rotina que não para.
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Pai de três filhos, empresa com 22 pessoas, reuniões o dia inteiro. Como eu consegui manter produção de conteúdo constante com uma rotina que não para.
Como Criar Conteúdo com Rotina Cheia:. Pai de três filhos, empresa com 22 pessoas, reuniões o dia inteiro. Como eu consegui manter produção de conteúdo constante com uma rotina que não para.
Teve um período que a vida ficou insana. Crescimento empresarial grande, compromissos novos, uma terceira filha. E numa dessas noites eu caí na real: eu sempre falei que todo mundo devia gravar vídeo todo dia. Mas agora eu estava vivendo a rotina das pessoas que me seguem. E cara, é muito mais difícil do que parece de fora.
A maioria de quem me acompanha é pai ou mãe de família. Tem trabalho fixo ou cliente pra atender. Não começou na internet solteiro, com o dia todo livre, sem compromisso financeiro que obrigasse a ter uma renda mínima. Quando eu comecei a criar conteúdo, era assim. Todo o meu dia estava disponível. Aí a vida aconteceu.
Um dos meus clientes — virou amigo de verdade — tem uma empresa grande, de faturamento na casa dos milhões. Ele entrou no digital há dois anos. O digital ainda é troco de bala comparado ao que a empresa dele faz. Mesmo assim ele continua. Por quê? Porque ele entendeu que o digital constrói algo que o negócio físico não constrói com a mesma velocidade: audiência própria. Mas a pergunta que ele se fazia toda semana era: como encaixar isso tudo numa rotina que já está cheia?
Existe um livro chamado Trabalho Focado, do Cal Newport. Nele, ele apresenta diferentes rotinas de deep work — trabalho profundo, de alta concentração. A rotina monástica é aquela em que você dedica horas contínuas, sem interrupção, como um monge. Bonita na teoria. Impossível pra quem tem empresa, filhos e reuniões.
Mas existe outra rotina que ele chama de abordagem do jornalista. O jornalista trabalha num ambiente caótico: tem gente ao redor, prazos apertados, fontes que ligam, editores cobrando. Mas ele precisou aprender a entrar em modo de concentração profunda em janelas de 10, 15, 20 minutos. Não tem luxo de 5 horas ininterruptas. Então ele aproveita o que tem.
Isso mudou minha forma de pensar sobre produção de conteúdo. Em vez de reorganizar toda a minha vida para encaixar o digital, eu passei a usar a abordagem do jornalista nos pequenos espaços que já existiam.
Quando usar cada um
Quando eu olhei para o que o trabalho no digital exige, consegui quebrar em partes claras:
Com uma empresa e equipe, adicionei um sexto ponto: gestão de pessoas. E esse é o mais fácil de encaixar, porque é baseado em reunião. Você agenda, cumpre, e acabou. O problema é que a reunião é exatamente o que impede a rotina monástica. Ela te obriga a virar jornalista.
Essa parte é a que mais me surpreendeu quando decidi prestar atenção. Geração de ideias não precisa de bloco de tempo. Ela acontece no meio da vida.
Você vai perceber que a maioria dos meus vídeos começa com um episódio: 'Esses dias eu fui a um evento', 'Esses dias eu conversei com alguém da minha empresa', 'Esses dias eu li um livro'. Algo aconteceu na minha vida e a ideia saiu dali. Isso não é coincidência — é uma prática de atenção permanente.
Desenvolvi o hábito de ter pequenos momentos de isolamento mental ao longo do dia. Cinco minutos aqui, dois minutos ali. A galera acha que eu estou meio 'desligado' numa reunião. É. Estou. Estou pensando. Esses momentos são onde as ideias se solidificam.
Quando uma ideia se cristaliza — o momento ahá — você precisa anotar. Agora. Porque ela vai embora. Um caderninho sempre junto é suficiente. O processo de geração de ideias virou uma forma de observar o que acontece ao redor e extrair material disso.
Existe um passo entre gerar a ideia e produzir o conteúdo: organizar a ideia. Quebrar em partes, dar uma ordem, enumerar os tópicos. Passo 1, passo 2, passo 3. Para quem está começando, esse passo faz toda a diferença no resultado final — o conteúdo sai mais claro, mais fácil de acompanhar.
Eu pulo esse passo. Desenvolvi o hábito de fazer a organização durante a gravação — vou enumerando e nomeando as coisas conforme falo. Às vezes sai um pouco confuso, um pouco longo. Tudo bem. A vantagem é que economizo aqueles 15 a 20 minutos que usaria organizando, e uso esse tempo para ler ou escrever no diário.
Se você está começando, não pule esse passo ainda. Organize antes de gravar. Com o tempo, você vai encontrar o ritmo que funciona pra você.
Aprendi uma coisa que parece simples mas mudou tudo: se você tiver a rotina matinal sólida e a rotina noturna sólida, o meio do dia pode ser bagunçado que a tendência é que ele se ajuste.
Toda vez que eu tive problemas de organização, a solução foi simples: arrumar o horário de acordar, o que faço na primeira hora do dia, e o que faço na última hora antes de dormir. Arruma essas duas coisas. Parece milagre como o resto começa a se encaixar.
Com isso, os horários fixos ficaram claros: reuniões na agenda, almoço em horário definido, hora de botar as crianças pra dormir. O resto do dia tem um monte de buracos. E esses buracos são ouro. O problema é que a maioria das pessoas gasta esses buracos rolando o feed.
A reorganização que funciona não é reformular sua vida. É uma reorganização mental. São dois movimentos principais:
Primeiro: você passa a viver em modo de observação e reflexão permanente. Qualquer episódio do seu dia pode gerar uma ideia. Uma conversa, uma reunião, um livro, uma preocupação. Você para de esperar pelo 'assunto do dia' e começa a extrair do que já está acontecendo.
Segundo: você aproveita os espaços não demarcados do dia para executar as partes do trabalho digital. Cinco minutinhos livres? Liga o modo antissocial e gera uma ideia. Mais cinco? Organiza essa ideia no caderninho. Mais vinte? Senta e grava. Mais vinte depois? Lê um livro que vai te dar material para os próximos conteúdos.
O resultado é uma rotina com duas partes: uma totalmente previsível — reuniões, horários fixos, compromissos — e outra totalmente imprevisível — sem hora marcada para gravar, para ler, para pensar. Mas funciona. Porque os pequenos espaços existem todos os dias, e quando você para de jogá-los fora, eles se somam.