7 Anos Criando Conteúdo: O Que Aprendi Sobre
De comentários de livros em 2018 a duas empresas em 2025, passando por leitura, produtividade e one person business. O que a progressão de fases revela sobre como
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De comentários de livros em 2018 a duas empresas em 2025, passando por leitura, produtividade e one person business. O que a progressão de fases revela sobre como
7 Anos Criando Conteúdo: O Que Aprendi Sobre. De comentários de livros em 2018 a duas empresas em 2025, passando por leitura, produtividade e one person business. O que a progressão de fases revela sobre como o conteúdo digital realmente funciona.
Antes de qualquer coisa, duas premissas precisam estar claras. A primeira: o conteúdo sai da sua vida. Não de pesquisas de mercado, não de análise de tendências, não de ferramentas de palavras-chave — da sua vida, do que está acontecendo com você agora.
A segunda: ele sai da sua vida para resolver um problema de quem está do outro lado. Não para impressionar, não para demonstrar conhecimento, não para construir autoridade no vácuo. Para ser útil de verdade para alguém específico.
Essas duas regras juntas são o filtro para tudo que vem depois. Qualquer decisão sobre nicho, formato, frequência ou plataforma passa por elas. Se o conteúdo não sai da sua vida e não resolve um problema real, ele não funciona no longo prazo — mesmo que pareça funcionar por um tempo.
O início foi nos livros. Em 2018, depois de anos lendo 50 livros por ano — todos os best-sellers que estavam na prateleira da frente das livrarias — a ideia foi simples: gravar vídeos comentando o que estava lendo. Não resumo — curadoria. Os aprendizados mais importantes de tudo que via.
Curadoria é o primeiro nível da pirâmide de criação de conteúdo. Você resolve o problema do tempo de quem te acompanha: eles não precisam ler os 50 livros porque você já leu e vai trazer o que importa. É um serviço real. E funciona para crescer audiência.
A limitação é que curadoria não forma — informa. Você não consegue ajudar alguém a se desenvolver profundamente com pílulas e resumos. É o compêndio, o primeiro passo. Bom para entrar, insuficiente para construir algo sólido.
Resultado direto: 2018 inteiro sem vender nada. Até novembro de 2019, zero venda. Isso não é fracasso — é a fase de descoberta. Mas é a prova de que curadoria sozinha raramente leva a uma oferta clara e ao produto certo.
Quando usar cada um
Em setembro de 2019, amigos começaram a dizer que o conteúdo sobre leitura deveria se tornar um curso. A transição foi natural: de comentar livros para ensinar como ler livros. Métodos de estudo, leitura ativa, como memorizar, como anotar, como escolher o que ler.
O dado que importa aqui não é só que a venda veio — é quando e por quê. A venda só virou possível depois que o conteúdo saiu do modo 'veja o que existe' e foi para o modo 'veja o que você pode fazer'. O conteúdo de ensino cria um caminho claro para a oferta.
Outro aprendizado dessa fase: quando você começa a ensinar algo, você estuda mais sobre aquilo. O conteúdo alimenta o desenvolvimento pessoal, que alimenta o conteúdo. É um ciclo. Não um loop vicioso — um loop virtuoso. E isso é o que separa quem cria de quem só repete.
29 de novembro de 2019: primeiro curso online lançado. Não foi a primeira vez ensinando — antes já tinha dado cursos offline, formações presenciais, aulas para empresa júnior. O histórico de ensinar já existia. O digital foi o canal novo, não a habilidade.
Em 29 de janeiro de 2022, nasceu o primeiro filho. E com ele veio o caos total: problemas sérios no parto, rotina destruída, modo sobrevivência ativado. Meses em que o único objetivo era passar o dia.
Quando a poeira baixou, em março ou abril, uma decisão: voltar a se cuidar. E documentar isso. Acordar cedo, rezar, estudar, treinar — e mostrar. Foto da janela escura às 5 da manhã. Foto do livro. Foto da academia.
O resultado foi inesperado. As pessoas começaram a pedir ajuda para fazer o mesmo. 'Como você é tão disciplinado?' Essa pergunta, repetida milhares de vezes, virou o produto seguinte: os infoprodutos de produtividade.
A lição aqui é potente: o conteúdo foi para o modo documentar — olha o que estou fazendo — e as pessoas responderam pedindo mais. Não foi uma decisão estratégica de marketing. Foi uma resposta orgânica a algo autêntico. E aí nasceu uma nova fase de negócio.
O lançamento do Condado — o maior até então — coincidiu com uma abertura de olhos para o que estava errado no mercado de desenvolvimento pessoal. Muita mentira. Muita gente ensinando o que nunca fez. Muita promessa vazia.
A percepção foi direta: se eu continuar nesse caminho, vou virar alguém que não admiro. E isso não é negociável. Resultado: demissão de toda a equipe, mudança de direção, meses de instabilidade e reconstrução.
É nesse período que o conceito de One Person Business entra — descoberto através de criadores internacionais que documentavam exatamente o modelo que já estava sendo praticado sem saber o nome. Um negócio de uma pessoa, com margem alta, sem necessidade de uma estrutura enorme.
E aí se repete o padrão: você fala um pouco sobre o tema, as pessoas pedem para aprender mais, você estuda mais, cria o produto. O conteúdo seguiu o desenvolvimento pessoal, e o desenvolvimento pessoal seguiu o conteúdo. Os dois se alimentam.
Em 2023 a convicção era firme: vou passar a vida num negócio de uma pessoa só. Em 2024 essa convicção já estava sendo testada pela vida. Dois filhos no início do ano, três no final. Duas empresas abertas — uma agência de YouTube, uma de processos comerciais. Um novo papel como diretor de marketing de uma empresa que sempre admirou.
A ironia é que quem estava ensinando one person business acabou construindo algo maior do que um negócio de uma pessoa. A vida foi na frente. O conteúdo foi atrás.
E esse é o ponto que fecha o ciclo: não existe contradição nisso. O conteúdo sempre acompanhou a vida — e quando a vida muda, o conteúdo muda junto. Forçar o conteúdo a ser algo que a sua vida não é mais é o começo do fim da autenticidade.
Olhando para trás, cada fase teve o mesmo movimento: algo acontece na vida, você documenta ou ensina a partir disso, as pessoas respondem pedindo mais, você cria o produto. Leitura, produtividade, one person business, agências — todos seguiram esse trajeto.
Nenhuma fase foi planejada com antecedência. Nenhuma foi resultado de pesquisa de mercado. Todas foram resultado de vida real traduzida em conteúdo honesto.
O segundo padrão é a continuidade do desenvolvimento. Cada fase exigiu estudar mais. Quando começou a ensinar leitura, estudou mais sobre leitura. Quando foi para produtividade, estudou mais sobre produtividade. Quem para de se desenvolver para de ter o que falar.
A conclusão é simples, mas exige compromisso: se você continuar se desenvolvendo e pautar o conteúdo em testemunhar as coisas que você vive — não em fingir autoridade ou imitar o que está dando certo para outros — você vai construir algo que dura. Não garantido. Mas possível para qualquer um que persistir.