Como formei a sociedade e fechei com operadoras no início do SaaS
Os bastidores reais de como consegui meu primeiro aporte, dividi a sociedade e transformei uma ideia em um produto com contratos fechados com operadoras como Vivo e TIM.
Por que isso é importante
Este capítulo revela decisões fundamentais que ocorrem por trás da criação de um SaaS — desde negociações com investidor anjo até acordos estratégicos com grandes operadoras. É especialmente útil para quem está desenvolvendo um produto digital e precisa compreender a dinâmica real de iniciar um negócio com pouca estrutura e muito risco.
O início: apenas uma ideia e um investidor anjo
Quando o projeto ainda era só uma ideia, o desafio foi encontrar quem acreditasse nele o suficiente para investir. Sem MVP e sem produto validado, o poder de negociação era quase nulo. Ainda assim, consegui despertar o interesse de um investidor que propôs 70% de participação em troca de R$90 mil em capital.
Como negociei minha participação
Sabendo da complexidade do projeto e da necessidade de montar um time técnico, propus uma divisão mais equilibrada: 60% para o investidor e 40% para mim, com 10% já planejado para ser redistribuído a profissionais estratégicos.
Distribuindo as participações do time
Com os 10% da sociedade reservados, convidei profissionais chave: 5% para um dev mobile, 2% para especialista em infraestrutura e mais 2% para alguém finalizar o backend. No final, fiquei com cerca de 31%.
ℹ️Planejamento é tudo
Ter clareza antecipada sobre os talentos técnicos necessários ajudou a estruturar uma equipe enxuta, porém eficaz, e manteve o projeto avançando.
Desbloqueando contatos nas operadoras mobile
Em uma cidade pequena, chegar até os responsáveis pelas decisões em maiores operadoras era um jogo de persistência. Tentei pessoalmente em lojas da TIM e da Vivo até encontrar uma pista: uma filial administrativa da Vivo indicou um nome de contato chave em São Paulo.
Uso inteligente de engenharia social no pitch
Ao apresentar o projeto à Vivo, mesmo diante de uma resposta negativa, citei casualmente que já estaríamos com contrato com a TIM. Isso mudou completamente o tom e forçou uma reavaliação da parceria. Detalhe: ainda não havia contrato com a TIM, foi uma jogada de inteligência social.
⚠️Não recomendado, mas funcionou
Usar uma suposta vantagem para ganhar terreno na negociação pode ser arriscado. No meu caso funcionou para destravar a Vivo, mas é vital ter planejamento caso seja cobrado na sequência.
Conseguindo a TIM e Embratel com um único contrato
Após formalizar a Vivo, apresentamos o contrato para as outras operadoras e elas se mostraram mais acessíveis. A GW Cell — uma adquirente de recargas como se fosse uma "VisaNet das operadoras" — simplificou o processo e integrou tudo através de um único ponto.
Lançamento do produto e primeiros usuários reais
O produto subiu para a Google Play numa sexta-feira e no final de semana já estavam sendo feitas recargas reais. Monitorando via servidor, percebemos que a adoção estava acontecendo de fato sem nossa promoção ativa.
✅Validação orgânica
Testes reais antes mesmo de campanha de marketing mostravam a demanda silenciosa existente. Esse impulso inicial orgânico ajudou a atrair atenção estratégica.
Primeiro contato com uma multinacional interessada
Na segunda-feira seguinte ao lançamento, fomos surpreendidos com executivos de uma fintech batendo na porta da empresa, interessados em firmar negócio — e mais que isso, interessados em comprar o produto inteiro.
Recebendo uma proposta de 100% do capital
Durante a reunião, ficou claro que estavam dispostos a adquirir tudo. A negociação então virou: quanto vale nosso produto? Sem métricas claras, propusemos 49% da sociedade mais R$3,2 milhões por 51%.
Negativa e lição aprendida: projeções financeiras
A resposta foi negativa e o argumento foi sólido: usuários não são clientes e não existia nenhuma projeção futura da operação. Fomos orientados a construir um plano financeiro de 5 anos.
❌Conhecimento técnico não basta
Ter um bom produto é só metade do caminho. Sem números, planos de crescimento e previsões, investidores e compradores não confiam no potencial de retorno.
Chamada para o próximo capítulo
Descobrir como transformamos o app tecnicamente funcional em uma solução visualmente convincente será tema do próximo episódio, onde mostramos como conquistamos os primeiros estabelecimentos parceiros.