Microsoft decreta o fim do C e C++: Rust será o novo coração
A Microsoft lançou um desafio que está mexendo com a comunidade de software: eliminar todo código C e C++ até 2030 em troca de mais segurança com Rust. Mas será possível? Descubra os detalhes, riscos e lições desse plano.
Por que isso é importante
A decisão da Microsoft de eliminar milhões de linhas em C e C++ até 2030 é uma das apostas mais ousadas da indústria de software. Essa transição, pretendida para gerar segurança, impacta produtos, desenvolvedores e toda a cultura de engenharia, além de ser um campo de testes extremo para automação e IA. Acompanhar esse desafio revela o que realmente significa modernizar sistemas gigantes em escala planetária — e traz lições diretas para qualquer um que trabalha, ou pretende trabalhar, com sistemas legados.
Fim dos Códigos Velhos: Microsoft quer tudo novo em Rust
Eis o plano: toda linha escrita em C ou C++ dentro da Microsoft estará extinta até a virada da década. A gigante declarou guerra total ao próprio legado, colocando Rust no centro e prometendo que, até 2030, não haverá mais espaço para as linguagens que carregam décadas de patches e bugs silenciosos. A ordem veio de alto: não se trata mais só de adotar Rust em novos projetos, mas de reescrever absolutamente TUDO, usando IA e força bruta.
O desafio impossível: migrar milhões de linhas por mês
O plano oficial é espantoso: cada engenheiro deverá migrar um milhão de linhas de código por mês. Isso dá 50 mil linhas por dia útil, numa rotina mais intensa que qualquer hackathon. Em termos práticos, nunca se viu nada parecido em escala, audácia ou expectativa de resultado contínuo. Não bastasse reescrever rápido, será preciso manter tudo revisado, testado e seguro — algo que nenhuma IA do mundo, por enquanto, garante sozinha.
⚠️Atenção
O maior gargalo não está na produção, mas na revisão de código. Migrar é fácil, validar segurança e estabilidade é quase um pesadelo.
Pipeline de IA: o cérebro da operação
Para atingir a meta, a Microsoft aposta numa infraestrutura própria de processamento de código. O plano envolve misturar IA, grafos de análise e automação, para criar agentes capazes de identificar, interpretar e converter algoritmos de C/C++ para Rust. Não basta traduzir — é preciso entender, migrar sem perder performance ou criar bugs ocultos. Hoje, parte dessa infraestrutura já funciona; resta escalar para a guerra total nos sistemas críticos.
ℹ️Informação crítica
Diferente do copiar-e-colar, a pipeline estuda os códigos, analisa dependências, define caminhos e só então transcreve para Rust automaticamente.
Vaga aberta: a missão do Principal Engineer
Toda essa revolução exige profissionais raros. A vaga aberta é para quem topa mexer no núcleo dos sistemas, presencial em Redmond, sendo responsável por evoluir a infraestrutura e processar transcrição de código essencial. Pré-requisito: experiência real em Rust (de preferência, sistemas de baixo nível) e disposição para encarar decisões arriscadas. Compiladores, bancos de dados, sistemas operacionais — experiência aqui pesa, mas a vontade de aprender pesa ainda mais.
⚠️Atenção
O salário é agressivo, mas você trabalha presencial e reporta diretamente a líderes históricos do core Microsoft. Não espere rotina confortável.
Por que tanto alarde? A guerra de legado nunca termina
Grandes empresas vivem presas ao próprio passado. Cada linha antiga de código esconde riscos, limitações e até portas de entrada para falhas graves. O C e C++ não são mais vistos como seguros para o futuro — mas arrancar esse legado é como trocar todos os trilhos de um trem em movimento. O ataque da Microsoft não é só técnico, é simbólico: decidir cortar o cordão umbilical da herança e desafiar as próprias regras do jogo.
Quem já tentou refatorar tudo sabe: o buraco é fundo
Migrações massivas parecem solução simples: reescreve, pronto! Só que na prática, quase nenhuma grande empresa banca uma reescrita completa. Na Disney, Netflix, Google — o caminho é sempre a refatoração gradual, módulo por módulo, mitigando riscos e testando cada integração. Reescrever do zero é mais fácil do ponto de vista técnico, mas quase nunca viável no negócio. Sem acordo, sem compromisso entre time, prazo e impacto, a chance de falha cresce exponencialmente.
Ambição e riscos: bugs, falhas e a ilusão da “migração segura”
A pressa em migrar pode abrir portas para bugs gravíssimos. Não é só uma questão de idioma de programação: mudar a forma como dados fluem, paralelismo, concorrência e dependências externas é a receita perfeita para introduzir erros sutis. Até o mundo open source já sentiu isso: bugs e CVEs graves surgiram em kernel Linux e projetos Android depois de tentativas apressadas de transcrição de C/C++ para Rust.
❌Erro potencial
Migrar rápido demais introduz falhas, como race conditions letais, corrupção de listas encadeadas e até brechas para ataques remotos. Toda reescrita massiva esconde riscos invisíveis.
Rust é seguro? Só se o processo for inteligente
O mito da segurança do Rust acaba quando decisões apressadas levam uso excessivo de “unsafe” ou gambiarras para tornar tarefas antigas compatíveis. O case do Android binder foi um alerta: mesmo Rust, mal usado, produz falhas sérias. Segurança vem de projeto e validação, não da linguagem em si.
⚠️Preste atenção
Rust reduz riscos e memory leaks, mas má migração e pressa comprometem até as vantagens da linguagem. O maior perigo é acreditar que ferramenta resolve tudo.
Legado não some: refatorar é comprometer, negociar, testar
“Se está funcionando, não mexe” virou uma máxima no mundo dos legados. Mas manter o status quo atrasa inovações fundamentais. Migrar, porém, exige compromissos claros: quanto tempo leva, o que destrava na produtividade, como garantir que novas entregas não herdem mais dívida técnica. Reformar exige alinhar alinhamento entre quem escreve, testa e decide — sem isso, mesmo a melhor IA falha.
AI migrando código: milagres ou só novos problemas?
A adoção de IA como “motor de refatoração” parece inevitável — mas não é mágica. Lidar com as diferenças entre lógicas de negócio, APIs antigas e nuances arquiteturais demanda curadoria especializada. IA acelera, mas não substitui experiência crítica, testes exaustivos e ajustes manuais que só quem conhece o sistema inteiro consegue fazer direito.
ℹ️Fique atento
Nenhum pipeline, por mais inteligente, substitui leitura humana, brainstorming em time e revisão crítica dos pontos sensíveis da aplicação.
Quanto mais se mexe, mais complexo fica
Sistemas gigantes são como “fiéis de legos”: mover uma peça afeta do outro lado. Cada refatoração aumenta a complexidade dos fluxos e das integrações, tornando o acompanhamento mais delicado. Por isso, o custo de revisão e testes dispara. O verdadeiro desafio não é migrar, é manter, entender e evoluir sem parar o trem.
Antes de pensar em migrar, avalie: vale a pena?
Vale arriscar apagar e reescrever quando os ganhos futuros superam o custo da migração. Se o legacy trava o crescimento, torna a entrega impossível ou ameaça a segurança estrutural, a conversa muda. Mas a decisão precisa ser tão racional quanto audaciosa: mostrar dados, calcular impactos, alinhar expectativas e só então partir para o canteiro de obras.
Resumo final: Microsoft virou laboratório do impossível
O plano Microsoft de migrar tudo para Rust até 2030 vai virar case mundial, para o bem ou para o fracasso. Independentemente do resultado, empreender ou acompanhar experiências assim amplia nossa visão do que é realmente possível (ou impossível) em engenharia de software. Para crescer como desenvolvedor, é obrigatório acompanhar debates, conhecer erros históricos e se preparar para lidar com legados — porque não importa onde você trabalhe, seu maior desafio nunca será criar algo novo, e sim refatorar o que já existe.
✅Dica final
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